Thauany Lima

130 anos do fim da escravidão: o que aprendemos com isso?

fim da escravidão

Já se passaram 130 anos do fim da escravidão brasileira e, mesmo assim, a população negra ainda sofre as consequências por viver no último país a abolir este tipo de prática desumana.
Diferente de outros países – que também utilizaram a mão de obra escrava-, o racismo existente no Brasil é velado e estrutural, o que dificulta no combate e na constatação de atitudes discriminatórias.
Pensando em quase quatro gerações do fim da exploração do trabalho escravo brasileiro, separamos alguns exemplos que expõe nitidamente o racismo estrutural que ainda atormenta a população afro-brasileira. Confira!

1. A população negra brasileira é a mais pobre

Sabemos que o fim da escravidão no Brasil não foi um mar de rosas para o povo negro, pelo contrário, foi o marco para serem excluídos do mercado de trabalho e das regiões em ascensão. Fator que acabou dando inicio as submoradias, – mais conhecidas hoje como “favelas”-.

“Em 2014, cerca de 76% da população pobre do Brasil era negra, número que em 2004 somava 73%.”

Esses dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e mostram o quanto à desigualdade racial só cresceu com o passar do tempo.

2. A população negra AINDA não vive em uma população representativa

Mesmo os negros somando cerca de 54% da população brasileira (de acordo com o IBGE) a falta de representatividade em grandes veículos midiáticos ou em lugares de PODER, parece não incomodar o resto da sociedade.
A matemática não bate quando associamos que a maioria da população é afro-brasileira e não a encontramos em programas de televisão, cargos altos das empresas ou circulando em regiões mais abastadas da cidade.
Porém, quando falamos em filmes brasileiros que retratam o crime e as favelas, localizamos um número maior de negros, não é mesmo?!

3. Os negros são os que mais morrem no Brasil

Não é exagero dizer que a população negra é a que mais morre no Brasil, afinal, as mortes negras e violentas somam 158, 9% a mais que as de pessoas brancas, isso de acordo com o Mapa de Violência de 2016.

“A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil e, na maioria dos casos nas periferias.”

Esse dado foi extraído da ONU Brasil (Organização das Nações Unidas) e mostra nitidamente o genocídio da população negra nas favelas, dando continuidade ao passado de desumanidade às vidas pretas.

4. O desemprego é maior entre os negros

Assim como a população negra é maioria no Brasil, o desemprego também está em alta para esses indivíduos.
Segundo dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), cerca de 13 milhões de brasileiros se encontravam desempregados no segundo trimestre de 2017, sendo 63,7% pretos.
Além disso, quando falamos de subempregos os negros são maioria, naturalizando sua figura na faxina, cozinha e cargos de “servidão”.

5. Os negros não recebem o mesmo tratamento de saúde

Existe um mito antigo de que as pessoas negras são mais fortes e resistentes que as pessoas brancas, afinal, sofreram mais fisicamente ao longo da colonização.
Em reflexo disso, quando o assunto é saúde pública, o próprio Ministério da Saúde aponta que as pessoas negras recebem menos tempo de atendimento médico e as mulheres negras uma quantidade menor de anestesia na hora do parto.
Outro dado alarmante é sobre as doações de órgãos, que de acordo com Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) os brancos são os mais beneficiados.

“Os brancos recebem 56% dos transplantes de coração e 93% dos de pâncreas.”

Nestes casos a cor da pele não é o alvo, e sim, o fator socioeconômico que tende a ser mais desvantajoso para a população negra.
São inúmeros os casos de desigualdade racial que aflige a população preta, esses foram apenas alguns exemplos corriqueiros que os cidadãos enfrentam no cotidiano.
Em 130 anos de abolição da escravatura os reflexos ainda são nítidos e fortes, dificultando a inserção do negro no mercado de trabalho, na vida acadêmica ou em círculos sociais mais providos de recursos.
O primeiro passo para reverter esse cenário, talvez seja os brancos reconhecerem seus privilégios e contestá-los, já que são os responsáveis por esse desequilíbrio.

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