Como o ageismo afeta as mulheres?

Por: Luana Queiroz
Ageismo
Entenda todas as faces e significado de ageismo

Envelhecer é um processo natural, mas algumas pessoas não encaram bem as características que a idade avançada proporciona e excluem esse grupo de certos espaços.

Essa parece ser uma novidade, mas esse fenômeno tem nome: ageismo. Discriminação etária, etarismo e idadismo são termos também usados para classificar a oposição a pessoas ou grupos de pessoas unicamente por causa da idade.

Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que 60% dos idosos, em 57 países, afirmam ter sido afetados por esse preconceito. Já no Brasil, o Datafolha expôs uma face mais preocupante: 9 em cada 10 idosos entrevistados acreditam nessa discriminação etária com as pessoas mais velhas.

O que é ageismo?

O ageismo é um tipo de discriminação que é voltado para grupos etários, como os idosos. Para justificar o preconceito, são atribuídas aos idosos estereótipos, características pejorativas, além do movimento de exclusão das pessoas mais velhas de espaços, atividades e convívio.

O termo ageismo (em inglês “ageism”, em semelhança a “racism” e sexism”) foi criado em 1969 pelo geriatra e gerontólogo norte-americano Robert Butler, diante da polêmica construção de um residencial para idosos nos Estados Unidos, em que os vizinhos não queriam que acontecesse, demonstrando sinais de discriminação etária.

Esse comportamento preconceituoso pode se manifestar quando não há contratação de pessoas mais velhas ou na falta de paciência com quem dirige ou caminha devagar na rua.

Os reflexos da discrimiminação etária podem ser intensos nos idosos, podendo provocar perda da autoestima, o aumento do risco de doenças crônicas (cardiovasculares e respiratórias) e de depressão e também redução da expectativa de vida em cerca de 7,5 anos. 

Ageismo o que é
Preconceito etário deixa sequelas severas os idosos

Como o ageismo afeta as mulheres?

Já se perguntou no que realmente está por trás quando uma mulher mente a idade? Por mais que, fisiologicamente, o envelhecimento seja comum a todos os seres vivos, atingindo homens e mulheres igualmente, nas relações sociais o peso nas mulheres tende a ser maior. Não sabe como? Reflita sobre as afirmações abaixo e pense se você já não as viu, ouviu ou pensou:

  • Mulheres com cabelos brancos são encaradas como desleixadas.
  • Atrizes deixam de ser escaladas para papéis principais quando envelhecem.
  • Mulheres que têm relacionamentos com homens mais jovens são severamente julgadas. 
  • Mesmo ao envelhecer, as mulheres são cobradas para manter o corpo jovem.

O culto ao corpo jovem feminino parece “proibir” que as mulheres aparentem sua verdadeira idade. Com isso, todo um mercado é criado e a ordem de consumo de produtos antienvelhecimento é instaurada. 

Discriminação etária
A discriminação etária com as mulheres é mais cruel

Com cada vez mais mulheres receosas de envelhecer, a indústria tem se alimentado desse sentimento. O relatório de pesquisa de mercado antienvelhecimento da P&A Intelligence afirma que o mercado global de antienvelhecimento gerou uma receita de US$191,5 bilhões em 2019 e projeta um crescimento de 8,1% até 2030.

Com a desvalorização atribuída ao feminino com o envelhecimento, é natural que as mulheres tenham medo de envelhecer e busquem recursos para “retardar” esse processo. Contudo, o reconhecimento de suas próprias potências e o autoconhecimento de limitações e novas conquistas que o corpo mais velho pode trazer é o caminho para uma trajetória mais saudável.

#OldLivesMatter

Por se tratar de uma discriminação bem difundida, comum e universal, algumas iniciativas acontecem, pelo mundo, para minimizar os efeitos do ageismo.

No Brasil, há o Estatuto do Idoso, que prevê uma série de normas a fim de proteger e defender o direito dos idosos. Na União Europeia, o Núcleo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (NEGERMI) elaborou a campanha #OldLivesMatter para lutar contra a discriminação etária e conscientizar os cidadãos, os meios de comunicação social e as instituições para o respeito com os idosos.

Como o ato discriminatório com as pessoas mais velhas está ligado a uma construção social, é preciso políticas e projetos que reforcem a naturalidade da fase e dissolva estereótipos negativos desse grupo.

E no caso específico das mulheres, que tendem a se encaixar em padrões estéticos impostos por uma representação que não condiz com a evolução do corpo com o passar dos anos, é necessário se libertar dessas amarras, assumindo a sua própria identidade, mesmo que a sociedade (como os meios de comunicação) ainda reflitam o oposto. 

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