Talitha Benjamin

Alcoolismo: quando beber deixa de ser um momento social

Alcoolismo

O consumo de álcool já faz parte da cultura brasileira, afinal, esperar o fim de semana para se divertir com os amigos em bares ou festas ou até mesmo em casa, e acabar se rendendo ao consumo de bebidas alcoólicas é muito comum. Mas quando é que esse tipo de comportamento sai do consumo controlado e vira alcoolismo?

No Brasil, segundos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo de álcool por pessoas acima de 15 anos aumentou cerca de 43% entre 2006 e 2016, e tem causado cada vez mais danos. Para entender melhor sobre o que é o alcoolismo, como ele acontece e como ajudar pessoas nessa situação, conversamos com o doutor Alexandre Pedro, psicanalista pela Sociedade Internacional de Psicanálise de São Paulo, confira.

Dependência alcoólica: uma doença perigosa

Chama-se de alcoolismo o uso constante, descontrolado e progressivo de bebidas alcoólicas, que também começa a afetar a vida da pessoa. De acordo com o doutor Alexandre Pedro, as consequências são devastadoras no que tange a saúde do indivíduo e, mais do que isso, dos seus núcleos familiares, profissionais e amigos.

Assim como todas as dependências, os sintomas do alcoolismo são: a compulsão (vontade incontrolável de beber), dificuldade em controlar o consumo, abstinência, suor, náuseas, tremores e ansiedade quando suspendido o uso e aumento da tolerância (quando se precisa aumentar a dose de álcool gradativamente para obter os mesmos efeitos). Segundo Alexandre Pedro, este é o quadro que precisa ser acompanhado.

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“Existe, em especial no álcool, o consumo consciente e recreativo, porém, quando passa para o extremo descontrole, temos um problema. Mesmo que o consumo seja esporádico, quando é acompanhado do descontrole, a pessoa deve procurar ajuda de um especialista”, alerta o psicanalista.

Como é feito o tratamento, e como procurar ajuda

Dados epidemiológicos no Brasil apontam que cerca de 13% da população apresenta algum tipo de quadro de dependência ao álcool. Para identificar um possível problema com a bebida, algumas análises de comportamento podem ser feitas, como por exemplo:

Você já pensou que deveria diminuir seu consumo de álcool?
Alguém já te criticou por causa da bebida?
Você já se sentiu mal ou culpado por beber?
Você já acordou e a primeira coisa que fez foi beber para se sentir bem?

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Apenas um sim para qualquer uma dessas perguntas já pode indicar um problema, que deve ser levado a um médico psiquiatra para que se inicie uma avaliação para um possível tratamento. Alexandre Pedro afirma que o entendimento e ressignificação da causa vêm se mostrando extremamente efetivo em casos não só de alcoolismo, como de diversos vícios. “Todos os comportamentos de vício tem por trás um causa, um gatilho emocional que leva o indivíduo a esse comportamento” explica o psicanalista.

Justamente por se tratar de uma doença que mexe muito com o emocional e psicológico, o maior problema encontrado no tratamento do alcoolismo é o reconhecimento do problema e vergonha de pedir ajuda. Muito dificilmente a pessoa admitirá o problema com a bebida, pois a noção de descontrole, para ele, não existe – ou seja, ele sente que poderá parar assim que quiser. Por essa razão, a intervenção da família e amigos precisa ser sutil, respeitosa e não invasiva. Porém, apesar do apoio de outras pessoas serem importantes, a pessoa precisa entender por si só os prejuízos causados pelo álcool e querer procurar ajuda para parar de beber.

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Além do tratamento junto ao médico psiquiátrico, outro recurso importante na luta contra o alcoolismo são os encontros de Alcoólicos Anônimos (AA), que se trata de comunidades de pessoas que se ajudam a ficarem sóbrios. Aliados a outros tratamentos, os encontros do AA podem ser um grande aliado para o indivíduo que procura ajuda para se manter longe da bebida.

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