Luiza Olinda

Assédio: precisamos falar sobre isso!

assédio

Hoje, cada vez mais, casos de assédio de todos os tipos têm pipocado na mídia, mas esse assunto ainda continua sendo um tabu e muitas pessoas, principalmente mulheres, se recusam a falar sobre isso.

Primeiro porque, em alguns casos, não entendem ou não querem admitir que vem sofrendo assédio; segundo porque, muitas vezes, o relato das vítimas é posto em dúvida; e, terceiro, porque há casos em que denunciar o assédio pode levar a consequências como a perda do emprego e de amizades importantes.

Mas não podemos nos calar e fingir que o assédio não existe! Falar sobre esse tipo de assunto é essencial para que a gente possa entender, de fato, o que assédio significa e saber quais são nossos direitos caso isso aconteça com a gente.

O que é assédio?

Podemos chamar de assédio qualquer tipo de abordagem ou relação que intimide, humilhe, coaja ou coloque em risco sua integridade física e psicológica, em qualquer ambiente.

O assédio também é um tipo de violência que pode desestabilizar emocionalmente a vítima e refletir em diversos aspectos da sua vida pessoal, profissional e amorosa de forma irreversível.

Normalmente, quem assedia nunca acha que está fazendo nada de mais, mas a vítima percebe os efeitos do assédio quando se sente perseguida e deixa de ter liberdade em se vestir, fazer e falar o que deseja por medo da interpretação e agressão do outro.

Os principais tipos de assédio

Assédio moral

Existem diversos tipos de assédio e, por falta de conhecimento, algumas pessoas nem sabem que estão sendo vítimas deste tipo de violência até que a situação fique insuportável.

O assédio moral é uma violência contra a dignidade do outro. Quem sofre com assédio moral, normalmente, é humilhado, tem suas capacidades questionadas, passa por ameaças e chega a ser ridicularizado pelos outros.

Esse tipo de assédio costuma acontecer em casa, ambientes de trabalho e estudo, ou seja, tem como culpado pessoas que estão próximas a você e te conhecem bem.

Quando o seu chefe grita e te humilha na frente de outros funcionários por um erro cometido, isso é assédio moral. Quando seus “colegas” de trabalho fazem piadas sobre você com o objetivo de prejudicar sua imagem, isso também é assédio moral. Quando a fofoca das pessoas passa a te prejudicar, isso é assédio moral.

Assédio sexual

Esse é um dos tipos mais frequentes dessa violência, o assédio sexual acontece quando a mulher é objetificada e é sugerido ou imposto que haja um relacionamento sexual entre o assediador e a assediada.

O assédio sexual pode acontecer em qualquer lugar, seja no seu trabalho ou na rua, quando você não dá abertura para que haja uma aproximação sexual e, mesmo assim, o outro diz palavras, faz gestos ou te toca de forma a demonstrar o desejo.

Uma das formas mais tradicionais de assédio sexual acontece nas ruas, por parte de desconhecidos que usam palavras chulas para descrever sua aparência ou para fazer convites relacionados ao sexo.

Também pode acontecer dentro do ambiente de trabalho ou em faculdades, por exemplo. Nesse caso, muitos assediadores usam da violência de uma forma mais sutil, mas que deixa a vítima igualmente desconfortável e amedrontada.

Quando parte de alguém com nível hierárquico maior que o seu, a vítima se sente ainda pior, porque acha que se denunciar a violência vai sofrer represálias e pode até perder o emprego.  

Assédio psicológico

A violência não precisa ser física para marcar a vítima. O assédio psicológico também pode ferir profundamente.

Esse tipo de assédio é aquele no qual o assediador “brinca” com a mente da vítima, fazendo-a questionar conceitos e certezas que tinha sobre a vida e sobre si mesma. Acontece muito em relacionamentos abusivos, quando uma das partes gosta de ressaltar o quanto é melhor que o outro e como está fazendo um verdadeiro favor em manter o relacionamento.

São frases típicas do assédio psicológico: “ninguém mais iria te aguentar”, “acha que outra pessoa vai querer você?”, “você mereceu isso” e “tudo isso é culpa sua”.

Assédio não é elogio

Vale mencionar que assédio sexual não é elogio, é a imposição de uma vontade sobre outra pessoa, é uma demonstração de poder e uma forma de deixar a vítima acuada.

Dificilmente uma mulher se sente lisonjeada sendo alvo de gritos da rua por parte de um desconhecido que a enxerga apenas como um objeto sexual.

Se você, homem, faz esse tipo de comentário, saiba que isso não é nada legal e você está criando uma imagem supernegativa para si mesmo e afastando qualquer chance de conquista com esse tipo de comportamento.

O fazer em casos de assédio?

Sabendo o que é assédio e que ele não é aceitável em nenhuma situação ou ambiente, o passo seguinte é tomar uma atitude para colocar um fim nisso.

O ideal é que a vítima denuncie quem está promovendo o assédio o mais rápido possível. Se tiver provas e testemunhas que possam depor a seu favor é melhor ainda. Busque apoio na família, amigos e colegas de trabalho que possam comentar sobre o caso e ajudar a embasar o seu relato.

O que não podemos, nunca, é nos calar frente a um tipo de violência que coloca em jogo nossos direitos básicos, humilha e amedronta tantas pessoas.

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