Talitha Benjamin

Como substituir expressões racistas do seu vocabulário

Clarke-Sanders de cabelo cacheado

Mais de 300 anos do passado escravista não são apagados facilmente. Esse período tão sombrio – e mais recente do que se imagina – na história do Brasil ainda traz os seus resquícios, já que nada foi feito pela sociedade para garantir a igualdade para os negros no país. O resultado disso é uma realidade tomada pelo racismo estrutural, onde a discriminação racial está presente em todas as esferas sociais.

Um dos sinais mais claros desse preconceito são expressões racistas presentes no vocabulário popular. O significado por trás delas não costuma ser conhecido, sintoma de uma opressão enraizada e naturalizada, mas que não deixam de existir e ter a sua conotação negativa. Independente da interpretação, é preciso desconstruir o pensamento que originou as expressões e procurar novas formas de se expressar.

Confira algumas expressões e palavras racistas que precisam sair imediatamente do seu vocabulário:

Dia de branco

Não precisa pensar muito para perceber o alto teor pejorativo dessa expressão. O dia de branco é um dia de muito trabalho e responsabilidades, enquanto o estereótipo associado ao negro é o de “preguiçoso”, mesmo após 300 anos de escravidão. A pessoa negra é vista como aquela que não esforça para realizar uma tarefa, que é “malandro”. Por isso, associar o branco ao trabalho pesado apenas reforça um estereótipo extremamente negativo.

Da cor do pecado

Geralmente usada como elogio, essa expressão carrega, além do racismo, um alto teor machista. Durante séculos, as mulheres negras foram vítimas de estupros decorrentes do período escravocrata. A exploração sexual deu origem ao estereótipo da mulher negra promíscua e foguenta, reforçando à hiperssexualização de seus corpos e associando à sua existência à algo pecaminoso e proibido. Essa visão perdura no imaginário popular, tanto que hoje em dia as mulheres negras costumam ser vistas como as que servem apenas para sexo, e não para manter relações afetivas e duradouras.

Mulata (o)

Originário da língua espanhola, esse termo refere-se à um filhote de cruzamento de burro com égua. De forma extremamente pejorativa, passou a ser utilizada para referir-se aos filhos de escravas com os senhores brancos, muitos deles nascidos a partir de estupros. Hoje em dia, é usada para referir-se à pessoas negras de pele clara, para diferenciá-las de brancos.

Ter um pé na cozinha/senzala

Uma forma extremamente pejorativa de falar de uma pessoa de descendência negra, geralmente de pele clara. Uma forma de diferenciá-las de pessoas brancas.

Mercado negro, lista negra, magia negra e ovelha negra

Na língua portuguesa, é bem comum associar o “negro” com coisas clandestinas, ocultas, perigosas, proibidas. Isso porque o processo de hostilização, destruição e demonização da identidade e cultura do negro foi muito eficaz, logo: negro = ruim.

Permitir-se desconstruir e remover essas expressões e palavras racistas e opressores é um passo extremamente importante na luta contra o racismo. Isso porque elas reforçam esterótipo negativos e não permitam que as pessoas negras sejam enxergadas sob uma luz diferente das de senhores de escravos, diferentes do século passado.

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