Talitha Benjamin

Por que o corpo negro é um corpo político?

vamos acabar com o racismo

Pouco mais de um século se passou desde a abolição da escravidão no Brasil, mas o país – que hoje é composto em sua grande maioria de pretos e pardos – está longe de ter atingido a igualdade racial.

Em um país construído a partir do racismo institucional, falar da pessoa negra torna-se muito mais complicado do que imaginamos. O fim da era escravocrata não garantiu oportunidades de crescimento e fortalecimento dos direitos humanos para a pessoa negra, o que deu início a construção de uma sociedade cujas estruturas funcionam a partir da opressão de pessoas negras e o apagamento ou destruição de sua identidade. Isso altera toda a forma como a pessoa negra nasce, cresce e morre no Brasil.

Opressão que machuca desde a infância

A demonização e hostilização do corpo negro e suas características (nariz largo, cabelo crespo, pele escura) foram fatores cruciais para que a estética e identidade da pessoa africana fosse destruída. E foi em cima dessa destruição que construímos os nossos costumes, culturas e crenças. Na nossa cultura, o corpo negro é algo selvagem, desprovido de beleza e inocência, cujo destino natural é ser servo do branco.

Essa discriminação racial está presente em todas as esferas da sociedade, o que significa que desde a infância – fase extremamente importante para o desenvolvimento do indivíduo – a pessoa negra está em contato com o preconceito. O racismo afeta a criança desde muito cedo, pois as ofensas e comentários racistas a diferenciam e inferiorizam e agem para destruir a autoestima do negro.

A desigualdade que se resulta dessa forma de tratar a pessoa negra consegue ser enxergada nas estatísticas: segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de desemprego entre os pretos e pardos é sempre maior do que entre os brancos. Também são a minoria em salas de aula ou em cargos de liderança corporativa.

Além disso, é preciso saber que a demonização, hostilização da pessoa negra resulta na sua desumanização – ou seja, ela deixa de ser vista como um ser humano, fazendo com que os negros sejam alvos de inúmeros tipos de violências vindo de todos os lados. Atualmente, 75% de todas as pessoas que morrem por homicídio são negras.

Viver para quebrar as estatísticas do racismo estrutural

Dizer que o corpo negro é um corpo político significa dizer que aquele indivíduo, apesar dos xingamentos racistas na infância, da falta de oportunidades em arrumar emprego ou de estudar, essa pessoa resiste, apesar de enfrentar diariamente a rejeição.

É afirmar, a partir da simples existência e reafirmação (com outras pessoas negras na ou não), na televisão, nos programas de TV, “não vou aceitar ser demonizado simplesmente por ser da minha cor, e que não aceita sacrificar seus costumes, identidades e culturas para adequar-se ao padrão que a sociedade quer”.

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