Carga mental: entenda por que mulheres estão constantemente cansadas

Cansaço mental na mulher

Existe um comentário que circula por aí, em que homens dizem uns para os outros: “eu ajudo minha mulher sempre que posso”, referindo-se seja aos filhos, ou aos cuidados de casa. Mulheres também costumam comentar entre si: “meu marido me ajuda sempre que pode” ou então “meu marido poderia me ajudar mais, mas ele trabalha muito”. O fato de este comentário não incomodar ou indignar a maioria das pessoas nos mostra como, de fato, a carga mental das mulheres é muito maior do que a dos homens.

No mercado de trabalho, os homens ainda detém todo o poder de liderança, de tomadas de decisões, planejamentos financeiros e estratégicos. No ambiente doméstico e familiar, esse papel é reservado exclusivamente para a mulher, que precisa balancear tanto o trabalho de administração, quanto o serviço mais “pesado”, como limpar, cozinhar, cuidar dos filhos e de outros parentes, fazer as compras e manter a casa totalmente em ordem e funcionando perfeitamente.

O esgotamento mental causado pela desigualdade de gênero

Segundo um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres brasileiras trabalham cerca de 8 horas a mais por semana apenas em afazeres domésticos e cuidados familiares. Isso torna-se mais grave quando levamos em consideração que os serviços domésticos não são remunerados por causa de um papel social que atribui às mulheres a responsabilidade de realizá-los. A jornada dupla das mulheres faz com que suas atribuições praticamente dobre em relação as dos homens.

O excesso de responsabilidades e, principalmente, a falta de reconhecimento e remuneração acabam por tornar a mulher refém de um serviço que, segundo as regras sociais, são inerentemente femininos e naturais desse gênero. Tanto que a sociedade costuma “glamourizar” o trabalho extremo das mulheres, exaltando-as por serem tão dedicadas e guerreiras por conseguir equilibrar trabalho, vida social, criação dos filhos, cuidados com a casa e o casamento. E quando uma das coisas inevitavelmente desanda, a crítica costuma ser dura. Enquanto isso, os homens precisam preocupar-se exclusivamente com o trabalho fora de casa, já que a responsabilidade doméstica está sendo cuidada pela esposa.

A carga emocional de tanta responsabilidade é pesada e angustiante. O ideal de que as mulheres devem ser detentoras dos deveres domésticos e familiares é uma estratégia do patriarcado para impedir a emancipação, já que este é remunerado e mantém a mulher refém do lar e impede a sua independência financeira.

No entanto, é preciso lembrar que a carga mental adoece. A mulher, esgotada mentalmente e fisicamente, sem poder ter a sua independência e vendo o seu parceiro gozar de direitos que a ela são negados cria ressentimentos. A injustiça da desigualdade social a atinge e incomoda mesmo que ela mesma não perceba. Este problema está por trás de diversas crises conjugais, brigas e rompimentos. O estresse, o cansaço físico e o mental, a ansiedade, a depressão e os sentimentos de isolamento são alguns dos efeitos ocasionados por essa carga. Atualmente, as mulheres acima de 40 anos são as que mais consomem antidepressivos e antiansiolíticos.

Divisão igual das responsabilidades para evitar o cansaço mental das mulheres

A primeira coisa que precisa ser feita para o combate da carga mental é esquecer a noção de que os afazeres domésticos são responsabilidades da mulher, e sim de todos os moradores da casa, independentemente do gênero. Portanto, um homem não “ajuda” a sua parceira com as tarefas, pois ele precisa ter tanta responsabilidade para realizá-las quanto sua esposa.

Visualizar o lar como uma empresa com diferentes departamentos pode ajudar. Assim,, a divisão de tarefas acontece de forma mais dinâmica e justa, de acordo com o que cada um saber fazer melhor.

Para as mulheres, também é preciso atitude para mudar o problema da carga mental. Saber delegar as tarefas também é importante para alcançar a igualdade no cuidado doméstico, e frases como “deixa que eu faço, acabo primeiro” e “se não souber fazer pode deixar que eu termino” devem ser abolidas do vocabulário feminino.

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