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Histórias de mulheres que desistiram da transição (e tudo bem)

A transição capilar não é um processo fácil. Lidar com as diferentes curvaturas e texturas do cabelo, com a lista de cuidados específicos e diários que precisam ser seguidos à risca e com a dificuldade em finalizar os fios transformam a transição em um processo árduo, e ainda por cima, lento.

Apesar de ser possível ver cada vez mais pessoas assumindo a curvatura natural dos fios para se sentirem mais bonitas e confiantes com os seus cabelos naturais, há quem julgue que passar pela transição para assumir os fios sem química não vale a pena.

Para entender mais sobre essas mulheres que não foram cativadas pela aparência do cabelo original e que optaram por voltar ao alisamento, confira abaixo duas histórias sobre mulheres que desistiram da transição.

Motivos que levaram à transição capilar

Um dos fatores mais comuns que motivam o início da transição capilar é a curiosidade para conhecer os fios naturais, já que muitas mulheres começam a alisar desde muito cedo. Essa curiosidade foi o que levou a psicóloga Deyse Gabrielly Martins Neves, de 25 anos, a abandonar as químicas..

“Eu tinha curiosidade em saber como era o meu cabelo. Vi que muitas meninas estavam deixando de ter vergonha do cabelo natural, então decidi aderir”, relembra.

Na época, com os cabelos quebrados pelo alisamento e pelo mega hair, ela deixou de lado a vergonha dos cabelos naturais e decidiu deixá-lo crescer.

Já para a assistente de pessoal Cristiane Tur de Arruda Rocha Neuman, de 30 anos, os cabelos profundamente danificados pela química e pelo calor do secador e da prancha levaram-na a dar um tempo dos alisamentos e entrar em transição, depois de 20 anos de alisamentos.

“Eu me sentia escrava dos processos químicos e da prancha. Se tinha uma praia, uma piscina eu já entrava em desespero, porque não fazia parte da minha rotina de retoques. Já deixei de viajar por causa disso” comenta.

Dificuldades da transição capilar

Desistir da transição capilarDesistir da transição capilarAntes e depois da transição capilar

Os difíceis processos para finalizar o cabelo durante a transição acabam se tornando uma das maiores dificuldades durante a transição capilar, e, por isso, podem desanimar quem passa por esse processo. Para Deyse, a solução para finalizar cerca de 4 dedos de raiz e o restante do cabelo com química era a técnica do bigudinho.

“Eu ficava horas fazendo essa técnica, ainda tinha que esperar o cabelo secar, e para lavar era muito difícil, pois meu cabelo embaraçava muito por causa do bigudinho, eu utilizava muitos produtos”, conta ela.

Já Cristiane testou praticamente todos os possíveis para o cabelo em transição, mas mesmo assim não se encontrava com o cabelo enrolado. Além disso, o tempo de finalização do cabelo dela, que durava cerca de duas horas, também era visto como muito desanimador.

“Mesmo com a texturização, ainda fica bem evidente de que algo ali não estava legal. Eu não conseguia sair de casa, não me adaptei ao cabelo enrolado. Na época, eu estudava e trabalhava, tinha dia que eu tinha vontade de chorar de desespero sabendo que eu ia chegar tarde em casa e ainda iria ficar 2 horas cuidando do cabelo”, relembra ela, que chegou a ficar 3 anos em transição.

A desistência como resgate da autoestima

Para ambas, a baixa autoestima e o desconforto com o cabelo em transição foram os grandes catalisadores da desistência da transição. A dificuldade de finalização, o descontentamento com a aparência do cabelo e o tempo e energia gastos no processo motivaram a volta para os alisantes.

“Eu já não estava mais feliz com o cabelo enrolado, em ter que fazer o bigudinho e em ter que esperar crescer. Foi então que, na minha formatura, eu aproveitei a oportunidade para escovar o cabelo”, relembra Deyse, que a partir daí não voltou mais para o enrolado por se sentir muito melhor com o cabelo liso.

No caso de Cristiane, que chegou a terminar o processo de transição, o cabelo não ficou do jeito que ela esperava.

“Eu me olhava no espelho e não me via, não estava feliz com aquele cabelo, minha autoestima ficou muito baixa. Por mais que eu me arrumasse, colocasse as minhas melhores roupas, não me sentia bem por causa do cabelo. Quando eu usava escova e prancha, aí sim eu me sentia bonita.”, relembra Cristiane, que diz ter sentido que cuidados realizados durante a transição fortaleceram o cabelo, motivando-a a voltar ao alisamento, mas de forma mais cuidadosa dessa vez.

Fazendo as pazes com os fios (e sem ressentimentos!)

Apesar de não utilizarem os fios naturais, tanto Deyse quanto Cristiane sentem que a transição capilar foi um processo que fortaleceu as madeixas, e mais do que isso: também mudou a relação delas com o cabelo.

“A transição ajudou o meu cabelo a se desenvolver. Antes eu usava mega hair, mas durante esse tempo ele cresceu muito, hoje não uso mais” conta Deyse, que agora não usa mais química, apenas secador e prancha. “Aprendi a amar e cuidar do meu cabelo, hoje a relação que tenho com ele é de amor mesmo, até converso com ele” diz.

Cristiane considera que atualmente está em seu melhor momento capilar. Apesar de ter voltado para a química, ela abriu mão de alguns hábitos que agridem os fios, como a aplicação de química frequente, aliada a escova e prancha.

“Com a escova progressiva, que só faço a cada 3 ou 4 meses, meu cabelo não fica liso, e sim ondulado. Consigo usar molhado, posso ir para a praia, para a piscina” comemora.

Assim como Deyse, ela reconhece que a transição capilar ajudou muito a melhorar a atual aparência do cabelo.

“Meu cabelo tem vida agora, está saudável. Não me arrependo de ter passado pela transição, porque ele melhorou o aspecto do meu cabelo, e também gostei de ter conhecido o meu cabelo natural, como ele é de verdade”, relembra com carinho.

Para essas mulheres, passar por esse processo, e, eventualmente desistir da transição capilar, foi essencial para estreitar a relação com os cabelos e aumentar a autoestima de ambas, diferente do que prega a ditadura do cabelo natural. Afinal, a escolha pessoal de acordo com o bem estar é que deve ser priorizada, acima de tudo.

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