Talitha Benjamin

Conheça a história de mulheres que apostaram no empreendedorismo negro

Mulheres empreendedoras
Foto: Jeferson Delgado / Ayabá Estúdio Afro

De acordo com o estudo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), a maioria dos empreendedores individuais do Brasil são negros. Na última década, o número de trabalhadores individuais aumentou muito devido à diversos fatores, entre eles o incentivo governamental ao empreendedorismo e o aumento do desemprego e da informalidade.

O empreendedorismo no Brasil em crise é, muitas vezes, a última opção. As mulheres negras, por exemplo, têm 50% mais chances de serem atingidas pelo desemprego, segundo o Ipea. Por essa razão, elas têm arrumado outras formas de ganhar dinheiro, muitas vezes reinventando o tradicional mercado de trabalho.

No entanto, não é só a necessidade financeira que as motiva a investirem no trabalho por conta própria. Os serviços e negócios geridos por mulheres – em um país onde a desigualdade de gênero e racial ainda é gritante – têm o potencial de ampliar o espaço e visibilidade das minorias, promovendo uma grande transformação social.

A trajetória que leva à necessidade de empreender

Mulheres negras que fazem sucesso em sua carreira
Karen Matos Ferreira

Karen Matos Ferreira, de apenas 21 anos, planejava dividir os “bicos” de trancista com os estudos. O seu objetivo era passar em um concurso público, mas o negócio teve tanto sucesso que seus planos mudaram totalmente de rumo.

“A área da beleza deu muito certo com uma rapidez inexplicável, eu nem cheguei a começar os estudos”, relembra a cabeleireira, que junto com outras seis amigas, trabalham em um salão de beleza dedicado à beleza da mulher negra no centro de São Paulo. “Não me imagino fazendo outra coisa, inclusive quero expandir meu trabalho para outros estados”, sonha a jovem, que está grávida de sua primeira filha.

Beleza da mulher negra
Natália Cristina Neves

Natália Cristina Neves, de 26 anos, é formada em recursos humanos e trabalhou por algum tempo na área administrativa antes de desistir e se dedicar exclusivamente à beleza da mulher negra.

“Trabalhei em salão por algum tempo e nunca via mulheres negras nos salões. Isso me motivou a me especializar em cabelos cacheados e crespos, pois queria fazer parte e ajudá-las no processo de aceitação dos fios naturais, por também ter passado por todo esse processo” conta.

O mercado dos cosméticos é a área que mais atrai empreendedores brasileiros. Ainda de acordo com o SEBRAE, apenas em 2011, no ano do ápice da crise econômica brasileira, o mercado da beleza cresceu 11%. Outro fator interessante é que, nos últimos anos, o investimento em produtos para cabelos cacheados e crespos foi maior do que nunca, e a diversidade e aceitação é uma bandeira levantada pela maioria das marcas. Isso não se aplica apenas aos consumidores, mas também aos empreendedores que procuram investir na área.

Mulheres que buscam seu próprio sustento
Dayne Batista

Dayne Batista, de 24 anos, classifica a sua decisão de empreendedorismo como uma trajetória longa de aceitação, que foi alavancada pelo desejo de ficar mais próxima à sua filha, hoje com 4 anos: “vim de uma família de cabeleireiros, então sempre estive na área de cosméticos, mas trabalhava longas horas em lojas de franquia. Foi depois de ser mãe que eu decidi que queria viver do meu próprio negócio focada em cabelos”.

O empreendedorismo negro como ferramenta de transformação social

empreendedorismo negro
Jennifer Iorrane Rodrigues Silva

O Ayabá Estúdio Afro, localizado no centro de São Paulo, abriga mulheres pretas que trabalham por conta própria. Juntas, elas trabalham com box braids, dreads, entrelace e cuidam também de cabelos cacheados e crespos. É lá que Jennifer lorrane Rodrigues Silva, de 23, exerce sua profissão, que também é a sua maior paixão.

“Eu sou completamente apaixonada pelo o que faço. Com apenas 7 meses trabalhando por conta, sinto que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Quero me especializar ainda mais em cabelos afro, todos os métodos e estilos”, conta a trancista.

Empreendedorismo entre mulheres
Gabriela Xavier

Gabriela Xavier já fazia os próprios cabelos, mas percebeu que aquilo era sua vocação quando notou como a autoestima das mulheres negras era melhorada pelo seu trabalho: “é incrível, pois sabemos exatamente a dor que cada uma sente ou sentiu. Estou há 8 meses nessa profissão incrível que me capacita a transformar a autoestima de uma mulher preta que sofre constantemente”, conta ela, que aprendeu o ofício com as colegas do salão onde trabalha, uma sabedoria passada de uma para a outra.

O empreendedorismo negro também possibilita a transformação do mercado de trabalho. No Ayabá Estúdio Afro, todas as colaboradoras são mulheres negras, o que por si só já se diferencia da maioria esmagadora dos quadros de colaboradores do mundo corporativo e administrativo.

“É uma honra pra mim conseguir fornecer à essas mulheres o mínimo de oportunidade pra elas se tornarem independentes”, conta Karen, que é dona do salão e também oferece workshops e aulas de técnicas de box braids para outras mulheres negras se especializarem.

No Ayabá Estúdio Afro, as cabeleireiras Karen Matos, Natália Cristina, Dayne Batista, Jennifer Iorraine e Gabriela Xavier compartilham o amor pela profissão e a felicidade de trabalharem em um ambiente onde possam trocar as experiências enquanto mulheres negras.

Também compartilham o objetivo de aumentarem os conhecimentos e expandirem os negócios, além de priorizar o atendimento e a capacitação de mulheres negras, com o objetivo de fortalecer a independência financeira e a autoestima por meio do empreendedorismo negro. Conheça também Ana Paula Xongani, negra, mãe e empreendedora.

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