Thauany Lima

Feminismo tem a ver com pelos? Entenda essa luta

Mulheres com Pelo

Desde a década de 60 as mulheres vêm lutando pela sua independência e igualdade de gênero, seja relacionada ao trabalho, família, relacionamentos ou até estética.

Quando o assunto é sobre pelos, encontramos traços no antigo Egito onde esse elemento corporal já era polêmico e bastante indesejado.

A ausência de pelos era considerada uma questão de status. Por isso, é muito comum vermos ilustrações de mulheres, homens e crianças carecas na época.

A depilação começou a ser considerada uma questão de higiene a partir do final do século XIX e início do século XX, onde foram criadas as lâminas de barbear para homens e mulheres se livrarem desse “incômodo”, como dizia a indústria.

Junto com o apelo por “higiene” veio a moda, que começou a lançar peças que deixassem a mostra pernas e braços, pressionando ainda mais a depilação.

Nos anos 40 e 50 os maiôs foram introduzidos no mercado, colocando a responsabilidade da mulher – de manter a depilação em dia – ainda mais severa.

A moda hippie lutou pela liberdade dos pelos, mas não durou após os anos 70. E foi nesse período que as mulheres se sentiram ainda mais oprimidas devido a indústria pornográfica que ilustrava mulheres lisas, sexys e desejáveis.
A partir daí, depilar se tornou um ritual feminino e os pelos algo nada natural.

Porque lutar pela liberdade estética?

O feminismo é a luta de mulheres que querem ter a liberdade de decidir o que fazer da sua vida e do seu corpo, assim como os homens fazem. É uma luta igualitária!

A partir do momento que uma indústria dita o que é uma mulher desejável, como ela deve se comportar e o que ela deve fazer para ser adequada, vai contra toda a luta das mulheres.

Colocar mulheres “lisinhas” nos comerciais de TV é basicamente mostrar o que é aceito e o que não é. Tornando anormal a própria natureza do corpo.

Amanda Mendes (23),influenciadora digital, passou a ignorar a ditadura da sobrancelha perfeita, pois estava lutando contra sua própria natureza para conseguir um resultado que muitas vezes não gostava. “Durante muito tempo um único fio fora do lugar me incomodava, eu acreditava que sobrancelhas bonitas eram apenas as desenhadas e sem falhas. Depois de muito tempo tirando e mesmo assim não me sentindo satisfeita com o resultado, decidi me desprender dessa perfeição imposta. Tenho as sobrancelhas naturais há um ano, as demais regiões do meu corpo eu depilo quando me dá vontade”, conta Amanda.

Porque os pelos incomodam tanto as mulheres?

Não tirar os pelos vai contra todos os estereótipos de beleza femininos criados pelas indústrias pornográficas e de higiene.

“Crescemos acreditando que uma mulher sem pelos é uma mulher que demonstra cuidado, higiene e beleza. Logo, quem vai contra isso acaba sendo vista como desleixada”, relata Amanda Mendes.

A assistente social, Fernanda Criloura (33) vem deixando os pelos das pernas crescerem há cinco meses por falta de tempo, preferindo se dedicar mais ao trabalho, estudo e família. Com isso, admite que esse passo “contracultura” ainda é muito mau visto por um grande número de mulheres. “Acredito, que grande parte do público feminino ainda está em raízes de uma cultura padrão. O que vai na contra-mão disso, ainda é visto como ruim, errado, feio, antiestético entre outros. Aos poucos, acredito que as pautas feministas, sejam as tradicionais ou do feminismo negro, ajudem piamente essas mulheres a se libertarem de padrões pré-estabelecidos”.

Porque não se prender aos padrões femininos?

As mulheres estão lutando por sua liberdade há décadas e, embora pareça besteira, os pelos tem a ver com feminismo por se tratar de uma ditadura estética feminina.

Quando você nega essa regra, pode ser por tempo indeterminado ou apenas por uma necessidade momentânea, você se desprende desse papel de mulher perfeita que a indústria tanto ilustra.

Porém, ter a liberdade de escolher NÃO TER pelos também é uma causa feminista, ok? Então não se sintam pressionadas, afinal de contas, ser dona das suas escolhas e respeitar a decisão de todas as mulheres é o propósito da luta.

“Seja livre! Não deixe que nada e nem ninguém lhe imponha padrões. Nós quem decidimos e escolhemos fazer o que desejamos! Nosso corpo, nossas regras”, declara Amanda.

“Você não é obrigada a nada! Seja você o maior tempo possível para que a sua existência tenha relevância. É horrível ser e viver às margens do que o outro deseja. Sejam felizes!”, recita Fernanda.

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