Tayla Pinotti

Gravidez na adolescência: riscos, dificuldades, família e amigos

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Quando se fala em gravidez na adolescência, algumas pessoas costumam reproduzir discursos cheios de ódio e preconceitos. Por isso, antes de falar sobre os riscos e as dificuldades, gostaríamos de contextualizar a gravidez na adolescência no Brasil. Entenda:

Aqui no Brasil, a gravidez na adolescência está, muitas vezes, diretamente relacionada à classe social. Isso significa que meninas de baixa renda costumam engravidar mais cedo do que meninas de classes mais altas.

E isso não acontece porque as meninas são “burras”, como muitas pessoas costumam afirmar. Ao contrário do que essas pessoas acreditam, meninas de classes sociais mais baixas não têm acesso tão facilmente à métodos contraceptivos.

Em muitas regiões do Brasil, as meninas não conseguem pegar camisinhas e pílulas do dia seguinte em postos de saúde, por exemplo. Em bairros do extremo leste da capital paulista, mulheres relatam que não podem retirar camisinhas se não comprovarem que elas são casadas.

Além disso, os anticoncepcionais vendidos nas farmácias não possuem um preço acessível e só podem ser tomados com indicação médica.

Outro fator que contribui para que a taxa de adolescentes grávidas no Brasil seja uma das maiores do mundo é a falha na educação sexual dos jovens e adolescentes. Isso porque as escolas não orientam os jovens quanto às questões sexuais e, as poucas que o fazem, costumam sofrer repressão por parte dos pais.

A própria família, inclusive, também falha nesse quesito, principalmente quando se trata das meninas. A maioria das mães e dos e pais não falam sobre sexo com suas filhas meninas, pois, muitas vezes, eles não se sentem preparados e qualificados para abordarem temas de sexualidade com elas.

Com os meninos, a situação costuma ser um pouco diferente, uma vez que são incentivados desde cedo a se relacionarem com outras pessoas e são mais bem orientados quanto ao uso da camisinha, por exemplo. Então, além de todos os pontos já citados, podemos dizer também que a gravidez na adolescência também está relacionada à uma questão de gênero.

Todos esses fatores (e muitos outros) contribuem para que a gravidez entre jovens adolescentes já seja algo comum no Brasil. Por isso, antes de falar sobre gravidez na adolescência, é preciso entender em qual panorama ela acontece.

Índice de gravidez na adolescência no Brasil

De acordo com dados do IBGE, crianças nascidas de mães adolescentes representam 18% dos 3 milhões de nascidos vivos no País (dados mais recentes, de 2015). A região com mais filhos de mães adolescentes é o Nordeste, que concentra 180 mil nascidos, ou 32% do total. Em seguida, vêm a Região Sudeste, com 179,2 mil (32%); a Região Norte, com 81,4 mil (14%); a Região Sul (62.475 – 11%); e Centro Oeste (43.342 – 8%).

Atualmente, 66% das gravidezes em adolescentes são indesejadas. O Ministério Público afirma que está investindo em políticas de educação em saúde e em ações para que essas adolescentes tenham melhor acesso tanto à informação, quanto aos métodos contraceptivos.

Principais riscos da gravidez na adolescência

Existe uma série de complicações patológicas às quais essas jovens (de 11 a 19 anos) ficam sujeitas durante o período de gestação. Isso porque, na maioria das vezes, o corpo dessas meninas ainda não está totalmente preparado para gerar uma vida.

Um dos fatores que podem aumentar os riscos é o pré-natal tardio ou inexistente. A maioria das adolescentes, por serem de classes sociais mais baixas, não faz o acompanhamento médico necessário durante uma gestação, ou então demoram muito até procurá-lo.

Entre os principais riscos da gravidez na adolescência estão:
– Parto prematuro
– Bebê desnutrido ou com peso muito baixo
– Pré-eclâmpsia e eclâmpsia
– Aumento de risco de depressão pós-parto
– Infecção urinária ou vaginal
– Maior probabilidade de parto cesária
– Trabalho de parto prolongado
– Anemia materna

Maiores dificuldades da gravidez na adolescência

Além dos riscos biológicos que as adolescentes grávidas podem enfrentar, elas também sofrem bastante com problemas sociais e psicológicos.

A sociedade e, muitas vezes a própria família também, faz uma série de julgamentos e críticas quando descobrem que essas jovens estão grávidas.

Outro agravante para as complicações psicológicas é a falta de maturidade emocional por parte dessas adolescentes. A falta de apoio por parte do pai e da família, as cobranças, a mudança repentina na rotina, fazem com que as jovens grávidas alimentem um sentimento de culpa ou de insatisfação que podem afetar tanto a gravidez quanto a vida dela e do bebê.

Além disso, a insegurança também pode ser grande, afinal, elas não sabem como é passar pela experiência materna, além de não se sentirem aptas a cuidarem e arcarem com todas as despesas que um filho gera.

Esses fatores podem contribuir para um isolamento da sociedade e pode até mesmo levar à uma depressão profunda. Por isso, em vez de julgar as meninas que engravidam durante a adolescência, que tal oferecer ajuda à elas nesse momento tão delicado?

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