Talitha Benjamin

Porque ter apenas um negro nos espaços não resolve o problema da diversidade racial

Diversidade racial

O processo de escravidão no Brasil fez com que a sociedade que vivemos hoje se estruturasse com base na opressão dos negros. Isso significa que em todos os âmbitos sociais, os negros são diminuídos pela cor da sua pele. No mercado de trabalho, por exemplo, a desigualdade entre raças é gritante, com 64,2% dos quase 13 milhões de desempregados sendo pretos e pardos. A renda per capita da população branca representa mais que o dobro da população preta (R$ 1097 contra R$ 508, segundo o relatório “Desenvolvimento Humano para Além das Médias”).

Nas discussões onde se apontam casos de preconceito racial ou a falta de oportunidade para os negros no mercado de trabalho e nas universidades, é comum ouvir afirmações como “não sou racista, tenho um amigo negro”, ou “não existe racismo nas universidades, já vi uma pessoa negra no corredor”.

Há ainda pouquíssimas oportunidades para negros ingressarem nas universidades: em 2015, 12,8% dos jovens negros entre 18 e 24 entraram na universidade, contra o dobro de brancos da mesma faixa etária que alcançaram o ensino superior. Esses números provam que a desigualdade entre brancos e pretos afeta diretamente o desenvolvimento profissional e financeiro da pessoa negra.

Por que uma pessoa negra “vencer” não resolve o problema da desigualdade

diversidade de gênero

Para alcançar as mesmas oportunidades que uma pessoa branca, uma pessoa negra precisa ser duas vezes melhor que ela na mesma função. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que a população brasileira é formada, em sua, maioria, por pretos e pardos. Sendo assim, é realmente normal que em uma empresa, ou em uma sala de aula na universidade, a maioria dos integrantes sejam pessoas brancas? E que em um presídio, a grande maioria seja negra?

Ter apenas uma pessoa negra em uma espaço representa um problema maior ainda – o da representatividade simbólica, onde pessoas e instituições sentem que o seu dever foi cumprido dando oportunidade a apenas um, quando existem milhões que precisam dela. A diversidade racial só é atingida quando os ambientes e instituições representem a demografia no país. Isto é, possuam espaços e oportunidades iguais (em todos os setores, do peão ao chefe, e do faxineiro ao reitor universitário) para negros e brancos.

A maneira mais eficaz de garantir a diversidade nesses espaços é através das políticas públicas e iniciativas específicas para incentivar a inclusão: a Lei de Cotas, por exemplo, garante que pessoas negras – que historicamente possuem menos acesso à educação de qualidade e condições propícias para estudar – tenham espaços garantidos nas salas de aulas das universidades.

diversidade nas empresas

A falta de inclusão de pessoas negras nesses espaços impede o crescimento de mais da metade da população, e contribui de forma extrema para a desigualdade social, indo na contramão do progresso. Um estudo publicado pela consultoria empresarial americana McKinsey aponta que empresas que possuem maior diversidade étnica em seu quadro de funcionários executivos (cargos de diretoria e chefia) conseguem superar suas concorrentes em até 33% em lucratividade.

Além de se destacarem em outros aspectos, como inovação, motivação e liderança, provando que garantir que negros tenham tanto espaço nas empresas e universidades quanto brancos, elas garantem não apenas o sucesso de uma raça, mas também o progresso social de uma sociedade.

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