Tayla Pinotti

Masculinidade frágil: 5 provas de que os homens também sofrem com o machismo

Masculinidade frágil

Algumas pessoas afirmam que a masculinidade é uma caixinha cheia de objetos frágeis. Dentro dela, estão as inseguranças de um homem em parecer vulnerável ou ter sua preferência sexual contestada.

Prova disso é que a maioria dos homens está sempre se esquivando de situações que possam colocá-los em uma posição menos máscula.

O sexo masculino está constantemente tentando provar sua virilidade, força e segurança, porque, para os homens, se assemelhar ao sexo feminino pode demonstrar fraqueza e, muitas vezes, pode até soar humilhante.

É claro que esse comportamento deve ser problematizado, mas, diante dessa discussão, não podemos esquecer que os homens também são vítimas do machismo.

A ideia de masculino se constrói baseada numa oposição ao feminismo e, por isso, a masculinidade é a negação da feminilidade.

Em “O Segundo Sexo”, Simone de Beauvoir explica que a mulher é o segundo sexo justamente porque o masculino é o primeiro, já que ele é visto como superior. Sendo assim, a masculinidade funciona como uma autoafirmação enquanto oposto da feminilidade.

E é por isso que muitos homens parecem ter uma masculinidade de vidro: eles não querem se parecer ao sexo que é inferior, subalterno.

Como consequência disso, vivemos em uma sociedade em que homens, mesmo que inconscientemente, têm uma lista de de coisas que são aceitas ou não, que podem ou não podem ser feitas.

No entanto, não podemos deixar de lembrar que muito disso se deve à ideia de masculinidade que foi construída por uma sociedade extremamente machista e que, apesar de não ser com as mesmas proporções, os homens também são afetados pelo machismo.

Algumas provas de que os homens também são reprimidos pelo machismo são:

Eles são ensinados desde cedo que “menino não chora”

Crianças do sexo masculino crescem ouvindo que “menino não chora”, porque, em teoria, chorar é “coisa de menina”.

Isso gera a falsa ideia de que homens não podem demonstrar seus sentimentos, fazendo com que eles cresçam com emoções reprimidas.

Também aprendem que não podem usar roupas rosa

Um dos estereótipos de gêneros mais clássicos e ultrapassados é que meninos usam azul, enquanto meninas usam rosa.

Apesar de ser um conceito totalmente sem sentido, ainda é muito raro ver um homem usando roupas rosas, já que a masculinidade frágil não permite que eles usem “cor de mulher”.

São incentivados desde cedo a serem “garanhões”

Meninos e meninas crescem com uma educação sexual totalmente diferente. O sexo feminino é ensinado a se guardar, enquanto o masculino é incentivado desde cedo a se relacionar.

Os homens mais velhos da família estão sempre dizendo para os mais jovens que eles devem ser garanhões, mesmo que eles ainda não demonstrem nenhum interesse em se relacionar com pessoas do sexo feminino.

Não são ensinados a cuidar do lar e fazer atividades domésticas

Enquanto meninas são “treinadas” desde muito cedo para serem boas mães e donas de casa brincando de casinha e de boneca, meninos ficam totalmente isentos desses tipos de brincadeiras.

Como consequência disso, vemos homens que não se interessam por tarefas de casa e depositam na figura feminina toda responsabilidade em torno dessas questões.

Precisam ser sempre fortes

Todo ser humano tem seus momentos de fragilidade, mas os homens são quase que proibidos de demonstrar suas fraquezas.

Além disso, eles precisam ter “aparência” de homem: não podem se depilar, não podem cuidar das unhas e nem serem vaidosos demais. É por isso que a masculinidade frágil não permite que homens se cuidem, porque másculo mesmo é aquele “homem com H”.

É claro que não devemos tratar homens como coitados, mas também não podemos ignorar que o patriarcado afeta a sociedade como um todo, independentemente de gênero. Com diferentes proporções, é verdade, mas, no final das contas, todos saímos perdendo.

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