Tayla Pinotti

Conheça a história de mulheres que optaram por serem mães em tempo integral e adoram

Mãe em tempo integral

Você já parou para pensar que nos dias atuais mulheres que priorizam a carreira no lugar dos filhos são vistas como poderosas e autônomas enquanto mulheres que optam por serem mães em tempo integral são vistas como antiquadas ou até mesmo subordinadas?

Muito disso com certeza está ligado ao fato de que mulheres passaram a ter o direito de trabalhar fora de casa somente em 1962, quando foi instituída a Lei 4.121, conhecida como “Estatuto da Mulher Casada”.

Até então, era necessário que a mulher tivesse autorização do marido para exercer qualquer profissão, pois o Código Civil de 1916 definia a mulher casada como “incapaz de realizar certos atos”.

Tudo isso mudou graças à reivindicação e mobilização por parte de mulheres que se viam insatisfeitas diante da desigualdade de gênero e que, com muita luta, conquistaram os mesmo direitos que os homens.

Por este motivo é que, atualmente, a escolha de ser mãe em tempo integral e se dedicar totalmente ao lar ainda é muito julgada, podendo, inclusive, ser vista como ultrapassada.

No entanto, é importante lembrar que o próprio movimento feminista – responsável pela conquista de direitos das mulheres – prega a ideia de que toda mulher deve ser livre para fazer o que quer, mostrando que, da mesma forma que uma mulher pode, sim, priorizar sua carreira, também não há nada de errado em optar por ser mãe e dona de casa.

Para mostrar que mulheres que dedicam o dia todo aos seus filhos também são poderosas, confira a história de duas mães que optaram por uma rotina de cuidados com as crianças e estão muito bem (obrigada!) com suas escolhas.

Laço de confiança e as vantagens de ser mãe 100% do tempo

Mãe em tempo integral
Sara Rocha de Jesus com as filhas Giovanna e Sophia

Mãe de duas meninas, Giovanna, de 8 anos e Sophia de 3 anos, Sara Rocha de Jesus, foi criada pela mãe, que dedicava 100% do tempo aos filhos e decidiu que queria fazer o mesmo.

“Optei por querer me dedicar totalmente a ser mãe e dona de casa – que não são tarefas fáceis – ao invés de ter que contar com várias pessoas para conseguir conciliar trabalho e maternidade”, diz Sara, que tem 25 anos e acredita na possibilidade de construir uma carreira profissional futuramente.

Para ela, criar um laço de confiança com os filhos é essencial e estar ao lado deles em todos os momentos é uma forma de conquistar esse sentimento de segurança.

A mãe de Giovanna e Sophia lembra de quando a filha mais nova ficou doente e usa como exemplo: “um tempo atrás a Sophia ficou dodói e precisou ficar 10 dias de atestado e em todos eu estava presente pra cuidar dela, o que fez toda a diferença”.

Raquel Rosa da Silva com o filho Alexandre

Assim como Sara, Raquel Rosa da Silva, que tem 39 anos e é mãe do Alexandre, de 4 anos, acredita que as vantagens de ser mãe em tempo integral são inúmeras, mas ressalta a possibilidade de poder aproveitar de perto todas as fases da criança: “passa tão rápido e, para mim, poder viver isso é um prazer, eu aprendo muito com meu filho”.

Trabalhando como vendedora de material escolar até a última semana de gestação, Raquel conta que o desejo de passar o máximo de tempo Alexandre, aliado a dificuldade de encontrar uma vaga na creche, foram essenciais para a decisão de se tornar mãe em tempo integral.

“A única coisa da qual eu tive que abrir mão foi da minha liberdade de ser solteira, o que também não foi um problema, já que estava cansada de ficar solteira”, brinca.

As famílias de Sara e Raquel tem como principal fonte de renda o salário dos maridos, sendo que ambos apoiam a decisão de suas esposas serem mães em tempo integral.

Rotina atarefada das mães em período integral

Muitas pessoas tem a visão (errada) de que mães em tempo integral não fazem nada o dia todo ou até mesmo que mulheres que optam por essa vida não gostam de trabalhar. Por outro lado, quem vive essa rotina sabe o quanto ela pode ser desgastante – até mais do que um dia no escritório, por exemplo.

Sara conta que seus horários no dia a dia são bem regrados: “Pela manhã eu arrumo as meninas para levá-las para escola. Uma entra na van escolar às 6h e a outra eu levo às 7h. Depois, cuido do nosso lar e começo o almoço quando a Giovanna chega, ao meio dia. Então nós almoçamos e eu continuo fazendo tarefas de casa. Às 16:00 buscamos a Sophia e, na volta, sirvo o café da tarde. Depois ajudo na lição de casa, dou banho e cuido dos cabelinhos delas. À noite sirvo jantar e coloco para dormir”.

Assim como ela, Raquel também cuida para que o filho tenha uma alimentação saudável, além de ser a responsável por cuidar das tarefas domésticas. No entanto, ela ainda diz que tem tempo para passear, dormir bastante e até para cuidar de si mesma e fazer exercícios.

Quando questionadas sobre o que achavam sobre esse estereótipo de “mulher preguiçosa que não faz nada”, as duas concordam: quem diz isso provavelmente não sabe como é a rotina de uma mãe em tempo integral.

“Ser mãe é um trabalho pesado, inclusive mais que muitos trabalhos por aí. Nós não temos folga, não paramos, não temos férias. Acho que quem pensa assim deveria dar mais valor para o papel maternal, já que, em todo lar existe uma pessoa que cuida de tudo e que dá estrutura para a casa. Isso tem que ser valorizado”, finaliza Sara.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *