Talitha Benjamin

Por que devemos mudar nosso mindset e parar de pensar no sucesso de forma linear

Mindset

Vivemos em uma sociedade onde ser bem sucedido é sinônimo de felicidade. Seja no trabalho, na vida financeira, emocional ou familiar, o sucesso é o alvo e precisa ser alcançado a qualquer custo, o mais rápido possível. Afinal, nos preparamos a vida inteira para isso, certo? Ou pelo menos é isso que o pensamento linear nos ensina.

Não é raro encontrar alguém insatisfeito com a estagnação da própria vida, ou reclamando da falta de conquistas e realizações, clamando não ter “chegado a lugar algum”. Também não é incomum ouvir pessoas comentando negativamente sobre o progresso (ou a falta dele) de alguém.

Todas essas situações são sintomas de um pensamento de que o sucesso e a felicidade são a recompensa final da vida, como a luz do fim do túnel ou o pote de ouro no fim do arco-íris. O conceito atribuído ao sucesso, no entanto, mais faz atrapalhar do que realmente faz ser bem sucedido e, por isso, encarar a sua trajetória de forma mais leve e não-linear pode ser bem mais benéfico.

O que é ser bem-sucedido?

A especialista em desenvolvimento humano e mindfulness Vivian Wolff explica porque enxergar o sucesso pessoal de uma forma única está no passado: “antigamente, era sobre ter status, segurança e poder. Hoje em dia, vivemos uma mudança de consciência”, avalia ela.

Uma carreira profissional de sucesso, por exemplo, deixou de se resumir à felicidade de alcançar um cargo de chefia e agora é uma coleção de experiências que nos possibilita satisfação pessoal e sucesso psicológico. “O conceito de sucesso não é mais coletivo, e sim individual, baseado nos valores e prioridades de uma pessoa. Assim, o meu conceito de sucesso não é o mesmo que o seu”, explica Vivian.

Dito isso, o autoconhecimento entra como fator fundamental para atingir experiências bem-sucedidas: “quanto mais eu sei o que é importante e o que é sucesso para mim, mais eu consigo construir uma vida alinhada com meus objetivos sem lidar com a pressão social”.

A especialista em desenvolvimento humano ainda acrescenta que a rapidez com a qual se exige a conquista do tão sonhado sucesso é irreal: “não existe hora certa para nada e o melhor que podemos fazer é sermos fiel ao nosso próprio ritmo.”

A especialista ainda relembra um trecho do manifesto do Protetor Solar, escrito pelo jornalista Pedro Bial: “não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida. As pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam aos 22 anos o que queriam fazer da vida. Alguns dos quarentões mais interessantes que conheço ainda não sabem”.

Como lidar com o fracasso sem pressão

Nesse pensamento linear que é obcecado com o sucesso rápido – de preferência, antes dos 30 anos de idade – o fracasso é algo inaceitável, quando na realidade, ele é inevitável. Lidar com os obstáculos que aparecem entre você e o seus objetivos pode ser muito complicado e até mesmo desmotivador.

Mas, segundo Vivian, isso é perfeitamente normal. O fracasso desmotiva porque ele tira a energia para tentar de novo, ou até mesmo de investir em novos projetos e ideias. É por isso que nessa hora é importante ser resiliente, ou seja, adaptar-se às mudanças, mesmo sendo elas negativas.

“É preciso se auto desafiar a ver a situação como um aprendizado para mudar a forma como lidamos com as derrotas. Em outras palavras, devemos mudar nossa perspectiva da situação e optar por ver os fracassos como uma oportunidade ou um desafio para fazer as coisas melhor em uma próxima vez”.

Essa mudança de mindset (ou mentalidade) é tão efetiva que é um dos principais conceitos ensinados à empreendedores para que eles encarem as dificuldades com olhos diferentes, e assim, torná-las em possibilidades. A dica de Vivian para botar esse conceito em prática é simples: “identifique o que exatamente funcionou na situação.

“Deve haver algo que você fez bem, que deu certo, que agregou. Identifique o que foi e depois avalie o que você poderia ter feito diferente ao longo do caminho. Tente sacar o melhor dessa avaliação e encarar as conclusões como uma oportunidade para mudanças positiva” finaliza.

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