Tayla Pinotti

Moda sem gênero: conheça o movimento que quer acabar com estereótipos de masculino e feminino

Uma criança ainda nem nasceu, mas já tem um armário cheio de roupinhas: se for menino, elas são azuis. Se for menina, rosa.

Essa mesma criança cresce. Se for menino, usa bermudas e camisetas largas, mas, se for menina, usa saias e peças justas.

O estereótipo de gênero sempre esteve presente no mundo da moda e se reflete nestes comportamentos na hora de homens e mulheres se vestirem e também na forma como as fabricantes de roupas desenham suas peças.

Mas, na contramão de todas essas regrinhas ultrapassadas, o movimento de moda sem gênero vem para mostrar que peças podem ser desenhadas independente do sexo de um indivíduo.

Quebra de paradigmas

Muito mais do que mudar a forma das pessoas se vestirem, a moda sem gênero tem o papel de questionar os padrões que a sociedade impõe.

Isso porque ela contempla pessoas do gênero feminino, masculino, as andróginas e até as que se identificam como sem gênero, preenchendo uma lacuna do mercado da moda que estava vazia.

Ao se vestir com peças que não são nem femininas, nem masculinas, o indivíduo não questiona apenas a questão de gênero em si, mas também o papel do homem e da mulher na sociedade e o binarismo (classificação do sexo e do gênero em duas formas distintas, opostas e desconectadas de masculino e feminino).

No entanto, isso não quer dizer que o movimento da moda sem gênero pretende acabar com o binarismo do setor.

O objetivo é quebrar preconceitos e fazer com que todas as pessoas, independentemente de gênero, sejam aceitas e que se sintam confortáveis tanto para se vestir, quanto para se expressar.

Volta do movimento sem gênero

Junto ao movimento de libertação feminina, em 1960, surgiu o termo “unissex”, que significa que uma peça pode ser usada tanto por homens quanto por mulheres.

Nos dias atuais, esse termo dá lugar para expressões como “agênero” ou “genderless”, que expressa um desejo de igualdade entre os gêneros masculino e feminino.

Em 2010 houve um ápice na ideia de que homens e mulheres não teriam mais gêneros distinguidos e todos se tornariam uma grande categoria de pessoas, independentemente do sexo ou de como se identificavam.

As discussões sobre gênero ganharam força desde então e o movimento da moda agênero também foi se fortalecendo diante deste cenário que pretendia não colocar pessoas “dentro de caixinhas”.

No mundo da moda, as questões de gênero sempre foram pautadas, afinal, esta é uma indústria que se reinventa e que não ignora ideias transgressistas.

Como são as peças da moda sem gênero

Tem calça, tem saia, tem casaco, tem sapato e tem acessório para todas as idades. Para as crianças, por exemplo, a moda sem gênero não se limita ao macacãozinho amarelo, que serve para os bebês dos dois sexos.

As peças unissex tem como objetivo acabar com os limites do que é masculino e feminino não só por meio das cores e cortes, mas também em todos os aspectos como modelagem, design, estampas e, claro, conforto.

Diversas marcas já estão incorporando elementos masculinos ao vestuário feminino e vice-versa, tomando cuidado para que elas não se pareçam peças “femininas com características masculinas” ou ao contrário, mas sim que elas não aparentem ter sido feitas apenas para um gênero.

Confira abaixo algumas pessoas vestidas com peças sem gênero.

 

Moda sem gênero: conheça o movimento que quer acabar com estereótipos de masculino e feminino
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