Por que voltar a morar com os pais não é sinônimo de derrota

Morar com os pais

Sair da casa dos pais é um grande sonho para muita gente. A conquista da independência é sonhada por muitos, mas manter-se fora do ninho pode ser difícil, e há sempre a possibilidade de não dar certo.

Já o pior pesadelo de quem sai de casa não são as tarefas domésticas, nem as contas e nem a solidão, mas sim a possibilidade de ter que retornar. Seja por qual for o motivo, é difícil não encarar o retorno como um fracasso e o “fim do sonho” da vida sozinho. Quem se encontra nessa situação precisa entender que voltar algumas casas não significa que o jogo acabou.

Como encarar a situação de forma mais leve

Viver sozinho traz à tona realidades bem difíceis com as quais você não precisava lidar antes. As dificuldades existem e lidar com elas sem ajuda é bem mais difícil do que se imagina – às vezes até impossível.

Voltar para o ninho depois de ter sentido o gostinho da independência também é um desafio gigantesco. Afinal, você já se acostumou a não ter que dar satisfações para ninguém, não é mesmo? Há ainda a mudança drástica de rotina, de ambiente e nos relacionamentos, além de ter que lidar com qualquer que seja o motivo que fez você voltar.

Seja qual for a razão pela qual você voltou ou o relacionamento que você tem com os moradores da casa, é importante lembrar a todo instante que, às vezes, é preciso retroceder para se recuperar e voltar a caminhar sozinho. O jeito mais saudável de retornar para o lar de onde saiu é aquele onde há um espaço seguro para a sua recuperação, readaptação e desenvolvimento, e para isso, é preciso que haja honestidade, compreensão e paciência, tanto de quem retorna, quanto de quem abriga.

A mudança acontece para todos os envolvidos

A saída dos filhos de casa também é uma grande mudança para os pais. É preciso acostumar-se com a solidão, com a ausência de uma pessoa importante para a dinâmica familiar, com a saudade e com a preocupação. Quem retorna precisa entender que quem ficou também estava acostumado à rotina de solidão, e que adaptar-se a nova presença é igualmente difícil.

A compreensão e a paciência são essenciais para a boa convivência – seja temporária, indefinida ou permanente. Ter que dar satisfações sobre onde vai e com quem vai sair, por exemplo, pode ser irritante, mas é realmente algo que deve gerar um conflito?

Expressões como “com licença?”, “posso usar?”, “obrigado” e “por favor” são essenciais. Elas demonstram respeito aos espaços individuais de todos os moradores, mesmo que esses espaços não sejam tão separados assim.

É claro que nem sempre se sai de casa em bons termos. Os conflitos e brigas familiares são um dos grandes motivos que motivam a saída em primeiro lugar e retornar ao lar – que já não era tão lar assim -, seja qual for o motivo, é bem mais difícil. Nesses casos, é mais importante ainda pensar no retrocesso como um processo temporário e necessário para que você reconquiste a sua liberdade e independência. Além disso, é sempre bom encarar a volta como uma oportunidade para conciliações.

Voltar a morar com os pais não significa, de forma alguma, a morte da sua independência. Muito pelo contrário – retrocessos fazem parte da vida adulta e ninguém está isento de precisar de ajuda ou auxílio em algum momento. Encarar a situação como uma oportunidade de se recuperar e de crescer pessoalmente é extremamente importante, seja a situação temporária ou não.

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