Talitha Benjamin

Cuidado para que o feminismo não oprima outras mulheres

Feminismo

Muito se fala sobre o feminismo, mas poucas das informações e declarações dadas sobre esse movimento são corretas. Nos últimos anos, o número de mulheres que se declararam feministas e que foram para as ruas para protestar contra o machismo aumentou significantemente, o suficiente para vários especialistas batizarem a época que vivemos de “primavera feminista”.

Em 2019, uma pesquisa do Datafolha apontou que, devido à visão estereotipada do movimento, o feminismo é mais bem avaliado entre homens do que entre mulheres, que são as principais beneficiadas pelas pautas defendidas pelo movimento. Mas na verdade, o que é o feminismo? É uma filosofia, um estilo de vida ou uma questão política?

O feminismo nada mais é do que um movimento que procura criticar e quebrar a estrutura patriarcal que domina a sociedade e oprime as mulheres. É um movimento revolucionário, que questiona e protesta as violências diárias e sistemáticas sofridas por pessoas do gênero feminino.

Desmistificando o feminismo

Dentro de um país de cultura extremamente conservadora como o Brasil, o feminismo é um movimento visto pela grande população com muito preconceito. Pautas como a liberdade sexual das mulheres e os direitos reprodutivos são assuntos tão polêmicos que são até evitados por instituições públicas e governantes.

Noções populares sobre mulheres que se dizem feministas costumam ser preconceituosas e cheias de machismo. Dizer que feministas odeiam homens ou que são lésbicas, ou que não são vaidosas, são equívocas. O feminismo é um movimento político de grande proporção mundial, com diferentes vertentes, tópicos de discussão e reivindicação que não pode ser resumido à uma coisa só.

O feminismo é para todos

O patriarcado é a estrutura que rege as dinâmicas sociais. Isto é, as tradições, costumes, economia, sociedade, religião, cultura, produção, legislação, e todas as outras instituições são organizadas para que os homens estejam em uma posição de poder, e as mulheres de submissão.

O feminismo luta para questionar os papéis de gênero que condicionam a mulher à inferioridade e que retiram a sua liberdade de escolha. Isso vai desde reivindicar salários maiores e direitos reprodutivos e à lutar contra a pressão social de se casar, por exemplo.

Após se encontrarem na luta pela emancipação feminina, é comum que mulheres passem a negar diversos aspectos da feminilidade tradicional, como roupas delicadas, maquiagem, cabelos longos, ideais conservadores de família, e até mesmo passam a encarar a própria sexualidade de outra forma.

Quando surgiu, em meados de 1960, não era comum que o feminismo fizesse com que as mulheres passassem a dar menos atenção às tarefas domésticas e cuidado dos filhos (o que na época, era obrigação exclusivamente feminina), começassem a trabalhar (o que era mal visto) ou até mesmo largassem seus maridos. Aprender sobre o feminismo tende a instigar um comportamento “transgressor” nas mulheres.

No entanto, isso não significa, em hipótese alguma, que tornar-se feminista precisa ser dessa forma. Uma das principais pautas desse movimento é promover o poder de escolha da mulher. O conhecimento e a liberdade deve ser as principais reivindicações do feminismo. Para que isso aconteça, é necessário estar aberta para diferentes mulheres de diferentes realidades, e respeitar as decisões e necessidades dela.

Dito isso, não é preciso largar o marido ou a família, cortar o cabelo, parar de usar vestido ou maquiagem para ser uma mulher feminista. É importante ter autonomia para aceitar ou recusar todas essas coisas, e para escolher o que é melhor para si. Como diz o texto de Bell Hooks: “ser oprimido significa a ausência de escolhas”.

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