Raquel Fialho

Mulher negra: luta constante pelo bem viver

Mulher negra discursando na Marcha das Mulheres Negras em São Paulo

“Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é necessário ser antirracista”. – Angela Davis.
A cada ano que passa as taxas de homicídio aumentam ainda mais, principalmente com relação às mulheres negras, visto que dados revelam que o preconceito, racismo, violência e mesmo o feminicídio são maiores com relação às mulheres negras.

A violência com negros é muito maior, e com relação a mulher, esse número se mantém. De acordo com dados do IBGE, cerca de 2,4 milhões de mulheres sofrem violência doméstica, sendo mais de 1,5 milhões, mulheres negras. Contudo, apesar de existir uma lei que protege mulheres de agressões, a Lei Maria da Penha, ela não é capaz de suprir esse alto número, como vemos nas pesquisas.

Os dados de 2017 do IVJ (Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência), revela que quanto maior a taxa de homicídios, maior é a taxa de jovens entre 15 a 29 anos que morrem, ou seja, jovens negros têm quase 3 chances de morrerem por homicídio no país com relação aos jovens brancos. Fora isso, o Brasil está no ranking, na 5° posição dos países com maior número de mortes.

A mulher negra no Brasil: a violência tem cor

Assim como o preconceito, o machismo, a opressão, violência e homicídio também tem cor e, engana-se quem pensa que violência é apenas física, muito pelo contrário, existem diferentes formas como, por exemplo, a psicológica, seja pelo parceiro, amigos ou chefe.

Exemplos disso, são as mulheres que participaram da 3° Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, guerreiras que passaram por situações difíceis e hoje se encontram muito mais empoderadas e fortes por terem dado a volta por cima.

Gisele Monteiro, 41, passou por um relacionamento abusivo, várias violências psicológicas, físicas, mas conseguiu sair da situação e hoje pensa no bem-estar da sua família, seus filhos. “Eu sou mãe de uma menina e um menino, então eu crio eles ensinando e mostrando a respeitar, a ouvir a mulher porque, às vezes, parece que o menino já nasce com aquele instinto. Além disso, a escola e a sociedade ensinam, mas quando chega em casa eu desconstruo tudo”, conclui.

Gisele milita contra a violência e direito da mulher negra há 11 anos e é motivada a continuar pelos filhos.

Mulher negra com sorriso largo usando turbante em cores vibrantes

Flávia Costa, 44, também participou da 3° Marcha das Mulheres Negras de São Paulo e acredita que hoje a mulher não está mais sozinha, todas estão juntas para fortalecer uma a outra. Além disso, afirma que mulher não é feliz se só tiver acompanhada “a mulher não precisa de um homem, a gente precisa da gente mesma. Quando a gente se aceita não precisamos de ninguém”, finaliza.

Linda mulher negra com cabelos longos com dreads

Pensando em ajudar, fortalecer e evitar a violência contra todos, acredita que o mundo seria diferente se todos pensassem no outro em primeiro lugar: “Hoje, se o mundo fosse: ‘o que eu não quero para mim, eu não quero para os outros’, o mundo seria um pouquinho diferente”.

Assim como Gisele, Carolina Pereira, 28, busca ensinar e mostrar aos filhos como funciona a visão da sociedade e dando sempre uma fortaleza para eles. Contudo, com relação a violência, diz nunca ter passado por ela de maneira física. Mas, não descarta, portanto, que o preconceito é internalizado e acabamos não percebendo às vezes. “Hoje, no trabalho, só tem eu e mais uma negra e muitas vezes somos confundidas por usuárias, como se não pertencêssemos àquele local. Já as estagiárias brancas, não”. Conclui dizendo que vê isso a todo tempo.

Mulher com 3 crianças negras segurando cartazes

A 3° Marcha das Mulheres Negras de São Paulo aconteceu em 25 de julho de 2018 e levou a rua milhares de pessoas em manifestação pelas mães que perderam filhos e filhas, e hoje lutam contra o machismo, feminicídio, etnocídio, lesbofobia, bifobia, transfobia, racismo religioso, todas as formas de violência contra os direitos humanos e pelo bem viver.

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