Talitha Benjamin

“Nem todo homem é machista”: saiba porque essa fala é problemática quando o assunto é machismo

Machismo

Quando algum assunto relacionado ao machismo e a violência de gênero que as mulheres sofrem por causa dele surge, quase sempre nos deparamos com o comentário “mas nem todo homem é assim”. Essa fala é quase sempre proferida por um homem que não aceita ser incluído na mesma “generalização” de seus colegas do sexo masculino e acredita não ser machista.

Esse tipo de comentário é muito comum enquanto resposta para problematizações de comportamentos masculinos que são prejudiciais às mulheres. Ele, com frequência, aparece no âmbito virtual, partindo de homens que clamam ser a favor da igualdade de gênero mas não gostam de se enxergar como parte do problema.

Mas, afinal, o que é machismo?

Tipos de machismo

O machismo é um pensamento que coloca mulheres em uma posição inferior ao homem única e exclusivamente por causa do seu gênero. Esse pensamento se opõe à igualdade entre ambos, e é um problema estrutural, o que significa que ele está presente nas mais diversas esferas sociais. Vivemos em uma sociedade patriarcal, onde o homem/pai é colocado em posição de respeito e superioridade, enquanto a mulher se submete às vontades masculinas.

Esse pensamento é algo que está sendo lentamente desafiado ao longo dos séculos, já que mulheres estão cada vez mais contestando as desigualdade de gênero e exigindo serem tratadas com respeito. Há pouquíssimo tempo, por exemplo, uma mulher não podia viajar sem a autorização do seu marido ou pai, e hoje em dia, pensar que isso acontecia, já parece um absurdo.

Nem todo homem é machista?

Quando discutimos e refletimos sobre uma sociedade machista, é importante que uma coisa fique bem esclarecida: homens possuem privilégios apenas por serem homens, enquanto mulheres sofrem inúmeras dificuldades apenas por serem mulheres. Seja no mercado de trabalho, nos relacionamentos interpessoais, na política ou em qualquer outra instituição.

Questionar e problematizar os comportamentos machistas que favorecem a desigualdade é um dever de todos. O homem que revê as suas ações machistas e se educa sobre os seus privilégios dentro da sociedade patriarcal não está fazendo nada além da sua obrigação, já que este é um sistema que violenta e explora mulheres há séculos. Um homem pode deixar de ser machista após um longo e difícil período de reflexão, reeducação e conscientização, mas ele nunca deixará de ser beneficiado enquanto as mulheres são exploradas.

O protesto “nem todo homem…” em resposta à uma problematização acaba por ser mais uma espécie de silenciamento do discurso feminista, mesmo que não seja intencional. É importante também saber que generalizar é diferente de observar e analisar o comportamento social de um determinado grupo, no caso, os homens.

Homens, que dentro da sociedade patriarcal estão em posição de privilégio, precisam rever o seu papel na sociedade e refletir quais comportamentos atribuídos a eles são prejudiciais às mulheres e até mesmo para si mesmos. Não apenas isso, mas precisam incentivar outros homens a fazerem o mesmo. A cultura do estupro, por exemplo, é algo que permite que alguns homens tenham a liberdade de agir de forma predadora, violenta e opressiva enquanto mulheres são silenciadas. O machismo mata e oprime não só as mulheres, mas como homens também.

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