Talitha Benjamin

O que é patriarcado? Saiba mais sobre esse termo utilizado pelo feminismo

Feminismo patriarcado

É difícil de acreditar que foi apenas em 1934, cerca de 85 anos atrás, que as mulheres conquistaram o direito de votar. Apesar da mudança na legislação e da Constituição de 1989 garantir direitos iguais para as mulheres, a sociedade brasileira ainda segue uma configuração conservadora e tradicional na qual o homem é considerado um ser superior, o que acaba dando brecha para que a discriminação de gênero seja perpetuada dentro dos lares, ambientes de trabalho e em todos as outras esferas sociais.

O patriarcado é como chamamos a sociedade que vê o homem como figura de dominação e autoridade, enquanto a mulher é submissa à sua vontade, seja na política, no trabalho e no âmbito familiar. A palavra deriva de uma combinação de expressões gregas cuja tradução literal é “autoridade do pai”, que também pode ser o chefe da família. Nessa configuração, o homem é o líder da casa, enquanto os agregados (esposa, filhos, outros parentes e empregados) são submissos à sua vontade.

O que significa “patriarcado”?

Antigamente, o termo “patriarcal” era utilizado de forma positiva e elogiosa para exaltar o poder masculino. A figura viril do homem firme que tem sua família sob controle. Na literatura, por exemplo, o estilo de vida patriarcal era o ideal de vida na era pós-Revolução Industrial. Sob essa figura masculina, está a mulher, na época, sem direito ao voto e ao trabalho, cujo papel social era reservado a ser uma boa esposa e mãe, ser compreensiva e acomodar as necessidades de seu marido e obedecer às regras impostas por ele.

No entanto, o patriarcado não trata-se apenas de um costume familiar. De acordo com a socióloga Sylvia Walby, o patriarcado passou de uma configuração familiar para uma instituição de dominação da figura masculina (seja pelo pai, marido, avô, irmão, etc) que age em todos os âmbitos sociais. Para Sylvia, existe o patriarcado privado, no qual as mulheres são excluídas da vida pública e controladas por indivíduos de figura patriarcal; e o patriarcado público, quando mesmo tendo acesso à vida pública (ao voto, ao trabalho, etc), continuam tendo que se submeter ao controle dos homens.

Como funciona o patriarcado na sociedade moderna?

Patriarcado

O patriarcado é o alicerce do atual mundo em que vivemos. Desde o nascimento, o gênero masculino já garante ao homem autoridade, poder e superioridade em todas as instituições, incluindo no trabalho, nas relações humanas, na economia, na política, na cultura, nas artes e por aí vai. Já para as mulheres, sobra o papel da inferioridade em todos os aspectos, seja economicamente, socialmente e emocionalmente. Enquanto os homens trabalham, crescem profissionalmente e financeiramente, as mulheres cuidam da casa, dos filhos e suprem as necessidades emocionais e sexuais do marido.

No caso de mulheres que trabalham, seu papel no mercado de trabalho sempre será inferior aos homens presentes no mesmo ambiente. Salários menores, assédio moral e sexual, situações constrangedoras e falta de respeito são rotina para mulheres que trabalham com homens.

É importante destacar que a mesmo com a Constituição brasileira, assim como leis específicas de Direitos Humanos e proteção à integridade física das mulheres (como a Lei Maria da Penha) garantindo a igualdade de gênero, o pensamento patriarcal e a sua implantação continuam fortíssimos no Brasil: apesar de trabalharem e estudarem mais do que os homens, as mulheres no Brasil ganham menos e têm menos chance de atingirem cargos de segurança. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes ao ano de 2015 e 2016, o que nos mostra que o problema ainda é muito atual.

Dados do Instituto Maria da Penha apontam que a cada dois segundos, uma menina ou mulher é vítima de violência física na América Latina. Segundo especialistas, os altos números de violência contra a mulher e o problema social que é o feminicídio também têm suas motivações no patriarcado, que vê na mulher uma situação de inferioridade e submissão, o que motiva o agressor a exercer força e violência física e psicológica sobre a vítima. Reféns desse sistema opressor, a sociedade patriarcal acaba por dificultar a vida das mulheres até menos na hora da denúncia, já que muitas mulheres são dependentes de seus agressores, tanto financeiramente quanto emocionalmente, e são desencorajadas a denunciarem e acabarem desamparadas.

Os altos índices de violência sexual e a cultura do estupro, que é o comportamento coletivo que banaliza esse crime bárbaro também têm suas origens no patriarcado. Apenas no ano de 2017, foram 164 estupros por dia, de acordo com Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Um levantamento feito pela revista IstoÉ aponta que 97% dos casos de estupros não resultam em condenação. Especialistas em segurança pública afirmam que o medo da retaliação e da impunidade fazem com que a maioria dos estupros não sejam denunciados.

O papel dos homens e das mulheres na destruição do patriarcado

Quando discutimos e refletimos sobre os efeitos negativos do patriarcado, é comum que o debate seja minimizado ou considerado como um “exagero”, ou até mesmo como uma generalização injusta. No entanto, é importante destacar que a culpa da existência do patriarcado não está nos homens – que desfrutam dos privilégios que esse sistema proporciona -, ou das mulheres, que são reféns de uma situação de marginalização social.

Questionar, problematizar e desafiar os comportamentos e ações machistas que desfavorecem as mulheres e prejudicam o seu acesso à direitos iguais é um dever social e político de todos, independentemente do gênero. O patriarcado é um sistema que violenta e explora mulheres há séculos, portanto, é necessário que existam políticas públicas e leis para garantir que as mulheres tenham o mesmo tratamento, o mesmo acesso à oportunidades e que a reparação histórica do estrago causado pelo patriarcado seja justa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *