Preconceito racial: o que é racismo?

Preconceito racial

Podemos considerar o racismo uma discriminação social que se baseia em classificar uma etnia superior a outra. Historicamente explicando, racismo era um campo de pesquisa que procurava provar que um grupo de pessoas eram inferiores aos outros, seja intelectualmente, moralmente, culturalmente e etc. Com isso, muitos negros foram analisados para provarem que sua etnia era inferior a do povo branco. Portanto, dizer que racismo pode ser praticado contra brancos é uma inverdade, pois o branco não foi inferiorizado historicamente como o negro. Logo, “racismo reverso” não existe. O branco pode sofrer episódios de preconceito, mas nunca racismo.

Mas, diferente do que muitas pessoas acreditam, o racismo não é apenas caracterizado por atitudes explícitas de discriminação contra pessoas negras, pode ser o jeito de olhar, de falar, de se relacionar e etc. São atitudes veladas, tão ocultas que muitas pessoas negras acreditam nunca terem sofrido racismo na vida, algo que é praticamente  impossível.

O racismo contra negros está em todos os setores, pois ele é estrutural, mas o que isso significa? Pois bem, quando dizemos que o racismo é estrutural, é porque a sociedade foi criada em cima de ideologias racistas. Por exemplo, estereótipos como o “o negro é mais forte fisicamente”, “a mulata é foguenta” ou “as negras são agressivas”, são fortes estigmas culturais que fazem que o racismo seja reproduzido e passado adiante.

Passamos por um processo de embranquecimento enorme ao longo das décadas, pois, desde sempre, o negro de pele escura não é visto esteticamente como bonito. Portanto, no decorrer da sua história, foi passando por uma miscigenação para ter uma aparência agradavelmente “melhor” perante a sociedade, o que trouxe uma série de problemas sociais para a população negra.

Esse embranquecimento é conhecido como “colorismo”, que é basicamente a ideia de que quanto mais escura a cor da pele, mais racismo a pessoa irá sofrer, ou quanto mais clara a pele, mais privilégios terá, e é exatamente o problema social que acompanham a raça negra. Isso porque, quanto mais miscigenado o negro, mais benefícios ele colhe na sociedade, ao ponto de negar a própria cor e achar mais agradável ser considerado “mulato”, “moreno” ou “pardo”.

Os negros somam cerca de 52% da população brasileira, mas onde encontramos essa maioria? Nas periferias, nas áreas de produção das empresas e no IML (Instituto Médico Legal), pois a cada 23 minutos um negro é assassinado no país. Mas por que estamos ocupando esses lugares? Por que o racismo é estrutural, ele não oferece oportunidades iguais aos negros e os condenam à marginalidade.

Por isso, você se depara com o racismo todos os dias, quando entra em uma sala de universidade e apenas 3 pessoas são negras, ou quando os maiores cargos das empresas são ocupados por brancos, -mesmo existindo negros com a mesma instrução e capacidade na instituição-, ou quando as pessoas negras se consideram “morenas” ou “pardas” na ilusão de se embranquecerem. Você encontra com o racismo quando está andando sozinha e teme o negro que se aproxima, ou quando diz “eu não sou suas negas” -diminuindo e taxando a mulher negra de imoral-, ou quando reproduz uma maquiagem que ajuda a diminuir traços negroides, pois quanto mais próximo do branco, mais bonito.

Você encontra com o racismo quando vota a favor da “menor idade penal”, achando que os negros das periferias já estão condenados a criminalidade, ou quando diz que nunca namorou com um negro “porque não acha atraente”, ou quando liga a TV e vê pouquíssima representatividade negra -e as que vê são negros de pele mais clara e com traços mais finos, pois são os esteticamente mais aceitos socialmente-.

Por último, você encontra o racismo quando não consegue pronunciar a palavra “negro” ou “preto” para se referir a cor de uma pessoa, achando que pode desagradar ou ofender.

O primeiro passo para uma sociedade mais justa é os negros “aceitáveis” negarem os seus privilégios. A empatia por parte da branquitude também deve existir, pois os privilégios devem ser reconhecidos para assim terem consciência do mal que fazem para a maioria da população.

O racismo é forte, está em toda parte, em músicas, frases, ditados populares, no medo, nas mortes, na solidão e nas instituições. Ele é estrutural, é triste, é assassino, é aterrorizante, mas não é incombatível.

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