Tayla Pinotti

Racismo: O que é? Como combater?

Racismo

O ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, deixou uma frase que ficou marcada quando se fala de racismo e preconceito: “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”.

A fala de Mandela, que foi vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1993 quer dizer que o racismo é, na verdade, uma construção social e política, que está relacionada à história do Brasil e do mundo.

Quando se pensa em racismo de forma “cronológica”, vemos que ele existe desde a idade média, época na qual a xenofobia, no geral, era muito forte.

Com o passar do tempo, o racismo continuou se propagando de diversas maneiras, sendo que, no Brasil, a origem do conceito de superioridade racial está relacionada ao período colonial, no qual os negros eram escravizados pelos portugueses.

No ano de 1888, a escravidão foi abolida no Brasil, mas as pessoas negras continuaram sofrendo com o preconceito por parte do governo e dos cidadãos brancos e a enfrentar dificuldades de socialização.

Atualmente, o racismo no Brasil está presente, principalmente, na forma de um preconceito velado, e se manifesta em diversas situações.

Racismo: significado

De acordo com o dicionário Michaelis, os significados de racismo são:
“Teoria ou crença que estabelece uma hierarquia entre as raças (etnias)”;
“Doutrina que fundamenta o direito de uma raça, vista como pura e superior, de dominar outras”;
“Preconceito exagerado contra pessoas pertencentes a uma raça (etnia) diferente, geralmente considerada inferior”;
“Atitude hostil em relação a certas categorias de indivíduos”.

Resumindo em outras palavras, o racismo é uma discriminação social, que se baseia em um conceito (equivocado) de que algumas raças humanas são superiores às outras. O racismo pode atingir diversos grupos de pessoas, como asiáticos, índios, mas, principalmente, os negros.

Leia também: Mulheres negras: Marcha reúne gerações que lutam contra o preconceito

Quais são os tipos de racismo? Veja os principais:

Racismo Individual: O que se manifesta por meio de estereótipos e de interesses pessoais e até mesmo em alguns comportamentos que advenham de atitudes individuais.

Racismo Institucional: Preconceito que provém de instituições políticas e econômicas e faz com que negros, mulheres e índios sejam marginalizados, diretamente ou indiretamente.

Racismo Cultural: Esse “tipo” de racismo ressalta a ideia de superioridade entre as culturas existentes e se manifesta em crenças, religiões, costumes e até mesmo línguas.

Racismo Primário: É definido como um fenômeno psicossocial e emocional que se manifesta sem justificativa. O racismo secundário é o etnocentrismo e o terciário é o preconceito que se baseia em teorias científicas.

Racismo Comunitarista: Se baseia no conceito de que raça não é natural, e sim cultura ou etnia. O racismo comunitarista configura o preconceito contemporâneo.

Leia também: Afroconveniência: Entenda o que é e o significado desse termo

Racismo no Brasil: Como ele se manifesta atualmente?

Apesar de 53% da população brasileira ser negra, o racismo contra negros ainda é muito presente no país. Como já dissemos, atualmente, ele se manifesta de diversas maneiras e, na maioria delas, ele não acontece de forma explícita. Alguns exemplos disso são:

– A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado no Brasil. A cada 10 pessoas mortas pela polícia do Rio de Janeiro, 10 são negras.

– O salário de um homem negro pode ser até 60% mais baixo do que o de um homem branco.

– Poucos negros ocupam cargos de liderança nas empresas, enquanto a maioria das pessoas em situação de serviço são negras.

– Negros raramente aparecem em capas de revistas ou são protagonistas de novelas, filmes e séries.

– Piadas racistas são consideradas “tradicionais” no país e, muitas vezes, são reproduzidas sem que as pessoas percebam o preconceito nelas contidos.

– Boa parte da população não considera racismo chamar um negro de macaco.

– Apesar do acesso para negros nas universidades brasileiras ter melhorado, a maioria dos alunos ainda é branca. Além disso, muitos brasileiros não entendem e são contra as cotas raciais.

Como combater o racismo?

O preconceito é algo que fica enraizado, por isso, o primeiro passo para combater o racismo é desconstruí-lo em você e ajudar as pessoas ao redor a fazer o mesmo.

Comece a prestar atenção nas suas atitudes e pensamentos. Por exemplo: você segura a bolsa forte quando vê algum negro perto de você? Você fecha o vidro do seu carro quando um negro se aproxima? Quando algum negro faz algo que você julga errado, você pensa que ele fez isso só porque é negro?

Leia também: Consciência negra: Conheça a história e a importância para os negros

Se você tem atitudes e pensamentos como este, está na hora de repensá-los. A dica é ir desfazendo essas ideias e preconceitos e ter em mente que isso que você sente acontece por uma construção social e ideias que lhe impuseram.

Por mais que, muitas vezes, não pareça, o racismo é considerado crime inafiançável e imprescritível no Brasil, o crime é previsto pela Lei n. 7.716/1989. Além disso, qualquer pessoa pode dar voz de prisão para um ato em flagrante. A voz de prisão por cidadão comum é garantida no artigo 301 do Código de Processo Penal do Brasil.

Por isso, se você presenciar algum ato racista, não hesite em anunciar que aquele racista deve ser levado à delegacia. Em casos de crime virtual, reúna provas contra a pessoa que fez a ofensa para fazer uma denúncia e para que essa pessoa seja devidamente punida.

Lembre-se que é dever de todo cidadão denunciar os casos de racismo e que, quando você fica neutro diante de uma situação de injustiça e preconceito, você escolhe o lado do opressor.

1 comentário neste post

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *