Tayla Pinotti

Raspar o cabelo como forma de liberdade: entenda esse movimento

“Hoje eu sou completamente livre porque pude entender que minha beleza vai muito além dos padrões nos quais as pessoas queriam que eu me encaixasse”, é assim que a vendedora de 21 anos Ana Paula Lima se sente depois de raspar o cabelo.

Infelizmente, o comprimento do cabelo ainda é muito associado à feminilidade ou masculinidade, tornando homens e mulheres reféns de um padrão estético que nem sempre condiz com o desejo de cada indivíduo.

Em uma sociedade que acha que “cabelo curto é coisa de menino” e “cabelo comprido é coisa de menina”, mulheres de cabeça raspada podem causar estranheza ou até mesmo espanto.

E é exatamente por isso que quando uma mulher decide raspar o cabelo ela está sendo corajosa, já que está abrindo mão não apenas de um comprimento, mas de todo um modelo de beleza “ideal” construído socialmente.

Ana Paula conta que raspou a cabeça em abril de 2018 no salão de um amigo que, inclusive, perguntou diversas vezes se ela tinha certeza daquilo que estava fazendo.

Apesar de estar confiante da sua decisão, a vendedora preferiu não olhar para o espelho enquanto o corte estava sendo feito. Ao abrir os olhos, no entanto, teve uma surpresa: ela se sentia ainda mais confiante e bonita.

A vendedora lembra que a decisão de raspar o cabelo surgiu em meio à dificuldades e o corte fez com que ela se sentisse melhor.

“Todos meus cabelos fazem parte de algum momento importante da minha vida, me ajudam a recomeçar, e dessa vez não foi diferente. Eu vivo dizendo que foi um efeito ‘contrário de Sanção’, porque raspar o cabelo me deu forças para fazer muita coisa que eu não tinha coragem antes. Afinal, para quem cortou um cabelo com máquina zero, nada é impossível, né?”

A Youtuber Kenya de Oliveira Borges, 24, também tem o cabelo raspado, mas a decisão de apostar no corte surgiu a partir de uma necessidade.

Depois de ser convidada para gravar um vídeo colorindo o cabelo em um salão, Kenya passou por um corte químico que fez todos os fios da parte de trás e alguns da parte da frente da cabeça caírem.

A Youtuber buscou algumas opções para “consertar” o dano, mas, conversando com o marido, decidiu que a melhor saída seria cortar todo o cabelo, que tinha curvatura 4A e era tingido de azul na época.

Assim como Ana Paula, Kenya também ficou um pouco assustada durante o corte, mas o “susto” logo se transformou em um sentimento de bem-estar. “Pela primeira vez eu me vi totalmente natural. Eu gostei do meu cabelo raspado muito mais do que achei que iria gostar, me senti livre”, conta a Youtuber.

A frase da Kenya representa bem o movimento de aceitação do cabelo raspado, já que o visual tem conquistado cada vez mais adeptas que estão mostrando sua força e poder refletidos em um corte de cabelo.

Cabelo raspado é sinônimo de autoestima elevada

Por mais que seja comum ouvir por aí que “os cabelos são a moldura do rosto”, a ausência de cabelo não deixa nenhuma mulher menos bonita, muito pelo contrário.

Ana Paula e Kenya são apenas dois exemplos entre as milhares de mulheres que estão apostando nesse visual e aprendendo a se amar ainda mais.

Depois de se olhar no espelho de cabeça raspada pela primeira vez, elas perceberam que o seus próprios conceitos de beleza já não eram mais os mesmos e que uma mulher pode ser ainda mais forte e linda sem necessariamente um cabelo longo.

“Quando me vi com cabelo raspado foi quando me senti mulher realmente. Além de conseguir ver melhor o meu rosto, sinto que quebrei um rótulo e me tornei mais confiante”, conta Ana Paula.

E quando uma pessoa começa a se enxergar linda, isso também reflete na opinião de outras pessoas. Prova disso é que ambas estavam esperando por uma uma má aceitação do novo visual e, no entanto, a maior parte dos amigos e familiares aprovaram a mudança.

Kenya ainda afirma que “toda mulher deveria raspar o cabelo pelo menos uma vez na vida”, para sentir a sensação de liberdade que o cabelo raspado proporciona não só esteticamente.

“Por mais que algumas pessoas olhem pra você como se você fosse anormal quando tem o cabelo raspado, sempre vai ter mais gente que vai achar legal, que vai se inspirar e se encorajar a mudar o visual, que vai enxergar que sua beleza vai muito além de um cabelo comprido”, comenta.

É importante lembrar que apesar do cabelo raspado feminino estar associado à meninas jovens e descoladas, mulheres de todas as idades, estilos, cores e curvaturas podem apostar nesse visual.

Ficou animada para raspar o cabelo? Então aproveite para conferir 6 opções de corte de cabelo raspado feminino para se inspirar.

Raspar o cabelo como forma de liberdade: entenda esse movimento
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