Tayla Pinotti

5 razões pelas quais em briga de marido e mulher, se mete a colher, sim!

Briga de marido e mulher

Em um país onde todos os dias pelo menos 13 mulheres morrem vítimas de violência, reproduzir ditados como “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” pode ser bastante perigoso.

Muito popular entre pessoas de todas as classes sociais, esse clichê sexista precisa ser urgentemente repensado. Isso porque “meter a colher” não significa se intrometer, mas oferecer apoio ou até mesmo denunciar qualquer tipo de abuso – seja ele físico ou psicológico.

Um levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo mostrou que, em 2019, de 37 casos de feminicídio registrados, 26 deles tinham autoria conhecida e 10 deles ocorreram dentro de casa.

Isso quer dizer que os crimes de violência contra a mulher, na maioria dos casos, não são cometidos por completos desconhecidos, mas por homens que estão próximos à elas, como um namorado ou marido, por exemplo.

Além disso, só na região metropolitana de São Paulo, 30 mil ligações são feitas por dia para o telefone 190 da Polícia Militar, sendo que a maioria delas são pedidos de socorro de mulheres que estão sendo ameaçadas.

Já no 180, número da Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, foram 72.839 queixas apenas no primeiro semestre de 2018.

Se estes dados ainda não são o suficiente para te convencer que você deve “meter a colher” em brigas conjugais, conheça outros motivos que podem fazer você querer interferir quando presenciar alguma briga entre marido e mulher.

1) O feminicídio não é subnotificado, mas os crimes anteriores ao assassinato são

Dificilmente uma mulher vítima de feminicídio é morta por um homem que nunca a agrediu. Na maioria dos casos, ela já sofreu algum tipo de violência e, muitas vezes, não fez uma denúncia. Sabendo disso, não espere uma situação chegar ao extremo e, se você ver alguma amiga/conhecida ou até uma completa desconhecida sofrendo qualquer tipo de abuso (físico ou psicológico), incentive a denúncia contra o agressor antes que algo mais grave aconteça.

2) Muitas mulheres não reconhecem que estão em um relacionamento abusivo

Só quem já esteve em um relacionamento abusivo sabe o quanto demora até a ficha cair. Para quem vive uma relação desse tipo, é difícil reconhecer os abusos, pois eles aparecem disfarçados de amor, preocupação e ciúmes. No entanto, para quem está de fora, o perigo é muito mais perceptível. Por isso, meta a colher, sim e ajude as mulheres ao seu redor a abrirem os olhos para os abusos que sofrem de seus parceiros.

3) Elas são ameaçadas

Quem acredita que “mulher apanha porque quer” está enganadíssimo(a). Nenhuma mulher gosta de sofrer ou de sentir dor, mas muitas “aceitam” apanhar caladas porque são ameaçadas ou porque tem medo de denunciar o agressor. Se você conhece uma mulher que apanha do marido ou se percebeu que aquela sua colega está chegando com hematomas no trabalho, ofereça apoio e ajuda.

4) Sua denúncia ajuda a quebrar o ciclo da violência doméstica

Não “se meter” em brigas conjugais é uma questão cultural e, por isso, gera um ciclo de violência contra a mulher. Ao denunciar, você ajuda a quebrar esse ciclo, pois ele estará deixando de ser visto como “normal”. Incentive e denuncie, pois quando um homem comete um abuso e não arca com nenhuma consequência, ele se torna ainda mais violento.

5) Ao “se meter”, você ajuda uma mulher e combate o machismo

Imagine que a mulher a sofrer com violência doméstica possa ser sua mãe, irmã, prima ou uma colega de trabalho. Com certeza você acredita que nenhuma delas deveria ser espancada por seus parceiros, então por que não ter essa mesma empatia com mulheres que você não é tão próximo(a)? Além de estar ajudando uma pessoa, ao denunciar um abuso, você também estará dando um passo no combate ao machismo, que mata mulheres todos dias, direta ou indiretamente

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