Recuperação pós-parto: como passar pelo puerpério da forma mais tranquila possível

Por: Luana Queiroz
Recuperação pós parto
Saiba dicas para uma recuperação pós-parto mais tranquila

Da descoberta ao parto, muitas são as transformações na vida da mulher com a gravidez. Embora seja uma fase de preparo para muitos momentos, como a preparação do ambiente e da rotina para a chegada do bebê, muitas mulheres esquecem de colocar nessa lista uma fase muito importante: a recuperação pós-parto.

Esse período que requer cuidados especiais, que se estendem a todos do convívio, tem nome: o puerpério. Fase que começa logo após o parto, o puerpério dura cerca de seis semanas e, para medicina, está muito ligada ao tempo em que o organismo demora para se recuperar e voltar ao estado anterior à gestação.

Mas para a psicologia, a recuperação pós-parto leva bem mais tempo, como indica a psicóloga perinatal Ingrid Ferreira: “o puerpério dura por volta de dois anos após o parto. Isso porque a mulher passa por diversas mudanças e transformações desde a gestação. São transformações físicas, emocionais, nas relações afetivas e até no ambiente de trabalho”.

O que pode acontecer durante a recuperação pós-parto

Mais do que as mudanças do corpo, como as quedas hormonais, o pós-parto traz um conjunto de outros fatores que antes não faziam parte da rotina da mulher: os cuidados com o bebê.

E é justamente nesse novo cenário, afirma Ingrid, que pode surgir o famoso baby blues. “Todo esse contexto favorece o aparecimento do baby blues, que é marcado pela ambivalência de sensações (“eu amo meu filho” X “não quero cuidar dele agora, preciso dormir”, por exemplo) e labilidade emocional (mudanças abruptas de humor). O baby blues tem duração de cerca de duas semanas e ocorre em cerca de 80% das mulheres”.

Também, neste período de recuperação, pode ocorrer a depressão pós-parto. A psicóloga conta que esse quadro pode durar, no mínimo, duas semanas e “a mulher pode apresentar sintomas cognitivos e afetivos, como humor depressivo, sentimento de culpa, autodesvalorização, dificuldade de concentração, irritabilidade ou, ainda, isolamento social. Nesse caso, deve-se procurar auxílio profissional de psicólogo (a) ou psiquiatra.”

Diante de um momento de possíveis instabilidades, como passar por esse período da maneira mais tranquila possível? Para ajudar as futuras mães a se preparar ou indicar o caminho para quem está passando pelo puerpério, a psicóloga perinatal Ingrid Ferreira listou algumas dicas que podem ser a luz no caminho da sua recuperação pós-parto.

Dicas para uma recuperação pós-parto menos turbulenta

Alojamento conjunto da mãe e bebê ainda na maternidade: é um tipo de sistema hospitalar que permite que o recém-nascido, logo após o nascimento, permaneça ao lado da mãe. “Etapa importante na preparação para a maternidade, promove maior conexão entre mãe-bebê.”

Rede de apoio ativa: no momento de recuperação pós-parto, não há vergonha nenhuma em pedir ajuda a pessoas do seu convívio. “Ter o suporte de pessoas próximas, como familiares e amigos, é primordial para a promoção da saúde mental da recém-mãe, uma vez que pode auxiliá-la nos cuidados com o bebê e tarefas de casa, dando-lhe a possibilidade de cuidar de si (tomar um banho mais demorado, fazer suas refeições com calma, descansar, assistir um filme/série).”

Participação ativa do pai nos cuidados com o bebê e nas tarefas da casa: o pai deve fazer parte a todo momento da nova rotina com o bebê e não apenas “ajudar” com ela. “O pai não faz parte da rede de apoio, ele faz parte efetivamente dos cuidados parentais.”

Conhecimento sobre o puerpério: a informação vai ser a sua grande arma e estar munida dela pode evitar alguns equívocos e te preparar melhor para esse momento. “Sabendo o que esperar desse período, a mulher será capaz de se preparar cognitivamente para o que está por vir.”

Suporte de qualidade da equipe que lhe assistiu durante a gestação: a recuperação pós-parto deve ser acompanhada por um profissional, que vai saber te orientar em casos específicos. “O acompanhamento pós-parto é fundamental”.

Acompanhamento psicológico desde a gestação: mais do que os cuidados com o corpo da mãe e do bebê, a saúde mental também deve ser priorizada, pois “possibilita que a mulher se prepare emocionalmente para o puerpério e planeje estratégias para lidar com as dificuldades e transformações.”

Procurar ajuda profissional quando sentir necessidade: se sentir que algo não está funcionando da maneira que você imaginava ou que não consegue lidar com alguma situação, não hesite em procurar ajuda. “Está tudo bem em pedir ajuda profissional quando percebemos que não conseguimos dar conta de algumas situações.”

Ausência de julgamentos e palpites: ainda há muitos misticismos e estereótipos em torno do que é a maternidade e como as mães devem agir, mas é preciso se afastar desses pensamentos e de pessoas que os reproduzem. “Os julgamentos da sociedade sobre a criação dos filhos pelas mães é algo que alimenta a culpa materna e a sensação de ‘não estou sabendo cuidar do meu filho’. A ausência de julgamentos gera mulheres mais confiantes e seguras.”

Em meio a tantas novidades e aprendizados, a recuperação pós-parto é repleta de mudanças físicas e psicológicas e é fundamental o suporte adequado à mulher, em todos os sentidos, para que este seja um período menos turbulento e mais proveitoso.

“Sejamos apoio a outras mulheres!”, exalta Ingrid.

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