Tayla Pinotti

Representatividade da mulher negra no mercado de beleza

Representatividade da mulher negra

Você já deve ter ouvido falar em representatividade, mas você sabe o que isso significa? Representatividade é retratar com efetividade, revelar e evidenciar as minorias, mesmo nas pequenas coisas do dia a dia.

Convidamos a blogueira Xan Ravelli, do blog “Soul Vaidosa”, para falar sobre a (falta de) representatividade da mulher negra no mercado de beleza. A Xan também é youtuber de um canal de mesmo nome e militante do movimento negro.

Na visão da blogueira, o grande problema é que a indústria da beleza ainda é muito guiada pelo padrão normativo branco, onde há um lugar de privilégios simbólicos, subjetivos e objetivos referente a identidade racial branca. Como consequência disso, a grande maioria das marcas só olham para os brancos e deixam os negros de lado na hora de idealizar e comercializar produtos.

Xan Ravelli acredita que a representatividade das mulheres negras está caminhando para uma melhora, pelo menos no que diz respeito às marcas de produtos para cabelo. Segundo ela, um dos possíveis motivos para isso estar acontecendo é o empoderamento das mulheres que estão assumindo seus cabelos cacheados e crespos naturais. Sendo assim, muitas marcas passaram a dar mais atenção para as mulheres negras como consumidoras.

A indústria de cosméticos, por outro lado, ainda está engatinhando. Mas a blogueira acredita que a tendência também é melhorar.

“Acho que a indústria cosmética está vendo que funcionou com os produtos para cabelo, então, daqui a pouco, eles vão ver que, para eles, também é interessante fazer produtos e maquiagens para quem tem a pele negra”, comenta Xan.

Outro problema na questão da representatividade, apontado pela blogueira, é que, geralmente, as marcas colocam só um tipo de negra – o que ela chama de “mulata exportação” – para representar todas, sendo que, na verdade, existe uma diversidade enorme de mulheres negras.

“Poucas negras de pele bem escura, narigão, bocão e cabelo 4C aparecem nas mídias e nas marcas. Muitas vezes, quando as marcas de beleza incluem alguma negra nas campanhas publicitárias, por exemplo, são aquelas com pele mais clara e cabelo menos crespo.”, pontua.

Xan acredita que a falta de representatividade também está ligada ao fato de as grandes empresas de beleza ainda não terem muitos negros nas suas equipes.

“Ter mulheres negras dentro da equipe é fundamental para poder partilhar ideias. Os negros têm que estar nas equipes, mas não em situações de serviço. As empresas devem ter negros no marketing, na gerência e em todos os setores, pois eles precisam ser vistos. As marcas precisam entender qual é a realidade das pessoas negras e as necessidades delas.”

De acordo com a blogueira, o que falta para as marcas de beleza é mais empatia. Falta ampliar o olhar para além daquilo que é imposto como padrão e entender que também é necessário fazer produtos para os negros.

“As marcas precisam entender qual é a realidade dos negros e pensar como elas podem atingi-los, até mesmo como potencial de mercado mesmo. Se não for por empatia, que seja por potencial de mercado, porque, afinal, os negros são 53% da população brasileira. A gente está aqui e está querendo consumir!”

Qual a importância da representatividade da mulher negra nas marcas de beleza?

TODA! As mulheres negras devem se sentir representadas pelas grandes marcas para que elas saibam que a cor da pele delas é tão comum quanto a pele branca e que elas devem amar a sua identidade, suas características físicas e suas origens.

Segundo a blogueira Xan Raveli, as meninas negras são “treinadas” desde pequenas a se identificarem com qualquer coisa, e não questionarem o fato de os brancos serem sempre os protagonistas de novelas e filmes, por exemplo.

Como consequência disso, desde muito cedo, as meninas negras são acostumadas a se espelharem em mulheres brancas, porque é o que lhes é imposto. O fato de mulheres negras alisarem o cabelo com procedimentos químicos é um exemplo claro disso.

“Outra prova de que as negras são afetadas pelos padrões normativos brancos é que as meninas negras seguem várias meninas brancas nas redes sociais. Mas as meninas brancas não seguem as meninas negras. Além disso, as pessoas sempre vão se referir a mim como uma blogueira NEGRA. Já as meninas brancas são chamadas só de blogueiras” relata Xan.

Ou seja, a representatividade é importante para que as mulheres negras parem de se espelhar apenas em mulheres brancas, como se houvesse algo de errado com a cor da pele negra, com o cabelo cacheado ou crespo.

“É nosso dever, como cidadãos, questionar as marcas e os veículos para que elas saibam que nós, mulheres negras, estamos atentas e que a gente quer todo mundo representado ali”, finaliza a blogueira.

É importante que todo cidadão se sinta representado, porque todos fazemos parte de uma mesma sociedade. Afinal, o Brasil é um país cheio de misturas e não faz o menor sentido prevalecer na mídia e nas marcas um padrão europeu, não é mesmo!?

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