Talitha Benjamin

Precisamos falar sobre transtornos alimentares!

Transtornos alimentares

Envolvidos em mitos e preconceitos, os transtornos alimentares são perturbações da alimentação ou do comportamento associadas à alimentação, podendo atingir tanto homens, quanto mulheres. Não se tratam apenas de uma, mas sim de uma série de doenças psicológicas que atingem cerca de 5% da população mundial, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Conversamos com a psicóloga clínica Maria Claudia dos Santos para entender quais são as características desses transtornos e como fazer o diagnóstico. Confira abaixo.

O que são transtornos alimentares

A principal característica de quem sofre um transtorno alimentar é a distorção da imagem de si mesma. A psicóloga Maria Claudia diz que o principal sintoma é o “sofrimento psicológico intenso, no qual as pessoas vivem uma obsessão e uma fixação em torno do que pensam e sentem em relação a comida e seus corpos”, explica.

São os transtornos mais comuns: a anorexia nervosa, onde o paciente busca de forma incansável a magreza a todo custo, inclusive à métodos extremos que podem ser prejudiciais a saúde. A bulimia nervosa, onde acontecem episódios bulímicos onde o paciente ingere uma quantidade exagerada e anormal de comida, e logo em seguida, é acometido por uma sensação de culpa extrema, vergonha e medo de engordar, chegando a usar meios extremos para desfazer a ingestão de alimentos. E, por último, a compulsão alimentar, onde há uma ingestão descontrolada de alimentos, atitude que com frequência está ligada a outras doenças psicológicas, como depressão e ansiedade.

Possíveis causas e fatores de risco para um transtorno alimentar

Maria Claudia nota que, assim como a maioria das doenças psicológicas, os distúrbios alimentares se formam através de uma combinação de possíveis fatores de risco. Alguns dos mais conhecidos são os fatores socioculturais, onde há um culto excessivo aos corpos magros como os únicos tipos de corpos aceitáveis, tanto em homens quanto em mulheres.

Há também os fatores psicológicos: “problemas com baixa auto-estima e autoconfiança, comportamentos rígidos, distorções cognitivas e a necessidade de manter controle total sobre a vida podem ser observados antes do aparecimento do transtorno”, acrescenta.

Maria Claudia ainda cita os sintomas que uma pessoa que está sofrendo um transtorno alimentar pode sofrer: “se há evidências do uso de laxantes ou diuréticos, a preocupação extrema com a aparência, o corpo ou o peso, alterações de humor e comportamentos alimentares estranhos, é preciso estar atento, pois estes podem ser indícios de um possível transtorno alimentar”, alerta.

Como tratar um transtorno alimentar

A maior dificuldade que as pessoas acometidas por um transtorno alimentar encontram é a de vencer o tabu e procurar ajuda profissional. Diferente de outras doenças, os pacientes que sofrem de algum distúrbio alimentar não costumam procurar ajuda. Nesse caso, é importante que os amigos e família estejam atentos e incentivem a pessoa a se consultar com um médico.

A psicóloga clínica destaca a importância de um tratamento multidisciplinar: “o tratamento terá características individuais para cada paciente, apresentando metas específicas de acordo com a situação, a gravidade, a cronicidade e a história da doença”, explica ela, que acrescenta:

“Deve-se considerar atendimento multidisciplinar, envolvendo médicos psiquiatras, psicólogos, nutricionistas, terapeutas familiares e educadores físicos para atendimento de todas as demandas possivelmente envolvidas no processo.”

Se você desconfia que você mesmo, ou alguém que você conheça esteja sofrendo com os sintomas de transtornos alimentares, procure ajuda imediatamente! Você merece ser saudável e ter uma alimentação equilibrada e sem culpa.

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