Talitha Benjamin

O veganismo pode ser acessível?

Veganismo

O número de adeptos ao veganismo aumenta a cada dia. O estilo de vida que prega o fim do consumo de qualquer produto de origem animal também é um movimento político no qual a bandeira é a mudança social através da liberdade e o fim da crueldade contra os animais para fins de consumo.

Números do Ibope Inteligência de 2018 já identificaram cerca de 14% de brasileiros que se declaram vegetarianos ou veganos. Isso significa um aumento de 75% se comparado ao último levantamento, de 2012. Isso porque os debates sobre o estilo de vida que preserva a vida e segurança dos animais têm tido mais visibilidade, graças aos meios de comunicação, mas principalmente, às redes sociais.

O veganismo entra em contato com diversos aspectos da vida social. Seja por saúde, segurança alimentar, amor e respeito pelos animais, consumo ético ou preservação ambiental, o fato é que o número de veganos aumentou muito no Brasil. Apesar disso, há uma notória dificuldade do movimento em chegar em zonas mais pobres, como as periferias e favelas.

O que é o veganismo e vegetarianismo?

A dieta vegetariana consiste em uma alimentação livre de carne, peixes e aves, mas costuma manter o consumo de leite e ovos (ovo-lacto vegetariano). Além disso, costuma restringir-se apenas à alimentação de quem a pratica.

Diferente do vegetarianismo, o veganismo não fala exclusivamente sobre comida. O movimento ético e político procura excluir não apenas os alimentos de origem animal, mas também quaisquer outros produtos que são fabricados com essa prática em mente. Isso inclui também os produtos testados em animais, e também serviços ligados à exploração animal, como circos e zoológicos (com exceção dos santuários de preservação).

A jornalista de 24 anos Stephanie Mendes tomou consciência sobre os danos da indústria agropecuária para os animais, meio-ambiente e para os seres humanos em um documentário. Mas foi só anos depois, quando um caso de maus-tratos que acarretou na morte de uma cadelinha viralizou na internet que ela sentiu a necessidade de mudar seus hábitos.

“Fiquei extremamente chateada em saber do que o ser humano era capaz de fazer com uma criatura indefesa. Mas enquanto refletia sobre, descobri que eu era um ser humano especista. Não adianta chorar por uma espécie e comer outra. Todas merecem respeito e dignidade”, reflete ela, que é adepta ao veganismo há cerca de dois anos.

O veganismo é elitista?

A associação do veganismo à um movimento elitista e fora da realidade de pessoas pobres é muito comum. Isso porque o mercado vegano (que ainda está em expansão no Brasil) ainda se restringe à quem tem mais poder aquisitivo.

Acessórios, cosméticos, alimentos industrializados e estabelecimentos livres de crueldade animal tendem a ser mais caros e centralizados em regiões mais ricas e nos grandes centros das cidades, diferente dos produtos “convencionais”.

Stephanie, mulher negra da periferia da Zona Norte de São Paulo, admite que a comida vegana disponível no Brasil ainda se encontra fora da realidade da maioria da população: “a nossa cultura alimentar e até mesmo a nossa rotina podem dificultar o veganismo. Somos um país pecuarista, com preparos culinários que em sua maioria contém leite, ovos e carne.”

Alimentação saudável é mais difícil para os mais pobres

As periferias e favelas urbanas são consideradas “desertos alimentares”. Esse conceito é utilizado para descrever locais onde o acesso à estabelecimentos de comidas saudáveis e nutritivas (como restaurantes e mercados) é muito menor.

Em contrapartida, nesses locais não costumam faltar oferta de alimentos industrializados, com alto teor de sódio, gorduras e zero valor nutricional. Por essa razão, qualquer tipo de dieta que exige alimentos não-industrializados pode ser inacessível para a maioria da população brasileira.

“É difícil que um brasileiro com uma ou duas jornadas de trabalho tenha tempo de preparar um prato colorido e variado, mais difícil ainda que ele vá saber como ser vegano. Consequentemente, isso aumenta o apelo pela carne e alimentos processados, que são de fácil acesso e mais rápidos de preparar”, explica a jornalista, que recentemente passou a oferecer o serviço de marmitas veganas. Através de um perfil no Instagram (@veggyleve), ela divulga um cardápio semanal de refeições balanceadas e sem nenhum alimento de origem animal para que seus seguidores façam encomendas.

Ela diz que é possível sim que a população brasileira siga uma dieta vegana, mas para isso, a transformação social precisa ser grande: “todas as camadas da sociedade precisam dialogar, precisa haver mais incentivo para a agricultura familiar, e alimentos saudáveis e de origem vegetal precisam ser acessível à todos. Infelizmente, não há interesse político e empresarial nisso, pois somos um país pecuarista e mudar essa estrutura não é interessante a longo prazo”, comenta.

É preciso lembrar que o estilo de vida vegano é benéfico e acessível para todos, com um pouco de esforço e dedicação para mudar os hábitos. Confira aqui quais são as vantagens desse estilo de vida.

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