Tayla Pinotti

Você preza por uma vagina limpa? Então saiba porque você não deve usar sabonetes íntimos

Que atire a primeira pedra a mulher que nunca se pegou preocupada com o odor da própria vagina, principalmente durante a menstruação.

Falar sobre vagina sempre foi um tabu e, como consequência disso, muitas mulheres não conhecem o próprio corpo, não sabem como funciona o seu próprio ciclo menstrual e nem qual a melhor forma de cuidar da sua vagina.

Aliás, poucas pessoas sequer sabem a diferença entre vagina e vulva e acham que ambas são a mesma coisa.

Na verdade, vagina é a área interna do órgão, um “tubo” de músculo que une a abertura vaginal ao colo do útero, enquanto a vulva é a parte externa.

Ao contrário do que se pode achar, o órgão sexual feminino não é sujo e, inclusive, é “autolimpante”. É isso mesmo! A vagina possui “bactérias do bem” que garantem que ela fique sempre limpa e segura com suas secreções.

Dra Silvana Quintana, chefe do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e segunda secretária da SOGESP, explica que, por ser “autolimpante” a vagina não precisa ser higienizada.

Já a vulva, que é a parte externa, deve ser lavada pelo menos duas vezes ao dia, uma durante o banho e outra depois de evacuar.

“Para higienizar essa área do corpo, o correto é usar um produto líquido, incolor, sem perfume e com pH levemente ácido. Nada de produtos com corantes ou aromas, porque não há necessidade”, explica.

Por que não é indicado usar “sabonetes íntimos”?

Com o objetivo de melhorar a higiene e evitar mau odor, muitas mulheres fazem uso de sabonetes íntimos na parte interna do órgão sexual.

O que elas não sabem, porém, é que, além de não serem necessários, eles podem fazer mal para a vagina, pois desequilibram a flora vaginal, podendo causar irritação.

De acordo com uma matéria publicada no The Guardian, uma empresa fabricante de talcos teve que pagar US $ 4,14 bilhões em indenizações punitivas à 22 mulheres que alegaram ter desenvolvido câncer de ovário após o uso de talco na vagina.

Apesar de serem casos extremos, é preciso ter cautela ao higienizar o órgão feminino. Nada deve ser introduzido na vagina, mesmo que a intenção seja “boa”.

Então por que existem tantos produtos que se vendem como higienizantes íntimos?

A indústria de higiene feminina cresce cada vez mais porque se alimenta do mito de que a vagina é suja e tem mau odor.

É verdade que todos gostamos de nos sentir limpos e qualquer produto que se venda com essa finalidade vai ser bem aceito pela sociedade.

No caso das mulheres, ainda há o agravante que foi comentado anteriormente e, além de não conhecer o próprio corpo, existe na sociedade uma cultura de “medo” contra o odor natural da vagina.

Dizer que o órgão reprodutor feminino precisa de limpeza extensiva com sabonetes ou produtos perfumados é um mito e a indústria da higiene feminina só colabora para que ele ganhe força.

Dra Silvana Quintana garante que os ginecologistas nunca devem recomendar o uso de produtos para higiene íntima e que as duchas vaginais só devem ser realizadas se houver a necessidade de algum tratamento.

Outro passo para combater esse mito é parar de tratar os assuntos sobre genitais como um mito, pois falar sobre esse tema ajuda a melhorar não apenas a saúde, mas também a confiança das mulheres.

Muito além de um órgão reprodutor, os genitais também fazem parte do funcionamento do corpo humano e devem ser tratados com cuidado.

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