Tayla Pinotti

Como o vício em pornografia afeta a vida sexual de homens e mulheres

Vicio em pornografia

De acordo com pesquisa realizada pelo Quantas Pesquisas e Estudos de Mercado, a pedido do canal a cabo Sexy Hot, 22 milhões de brasileiros assumem consumir pornografia, sendo que 76% são homens e 24% são mulheres.

Os entrevistados da pesquisa, alguns com vício em pornografia, também listaram quais fatores mais os “engajam” na hora de consumir um conteúdo deste tipo, sendo eles: sexo explícito higiênico e bem cuidado; a atores e atrizes que pareçam reais; conteúdo grátis na internet; vídeos com sexo héterossexual; qualidade técnica das imagens e a presença de “pessoas bonitas”.

A partir das respostas de alguns entrevistados, o canal também pode concluir que a pornografia funciona como uma “pílula de estímulo” e que “dá vazão a fantasias, desejos, frustrações e permite viver o prazer livre que hoje se concretiza em imagens”.

No entanto, apesar de parecerem interesses genuínos e inofensivos, o consumo de filmes “pornôs” pode acabar afetando a vida sexual de homens e mulheres sem que eles percebam. Quer saber exatamente como? Confira abaixo.

A pornografia não transmite o sexo real

Sem dúvidas, um dos maiores prejuízos que o consumo de pornografia traz às pessoas é a frustração com o sexo na vida real. Isso porque os “pornôs” mostram relações que acontecem de forma imediata, totalmente fora de qualquer contexto, além de muitos serem violentos ou chegarem perto da violência.

Nem toda mulher gosta, por exemplo, que um homem a penetre em todos lugares ou que ejaculem em seu rosto. Além disso, quase dois terços das mulheres não gozam com penetração o que, em teoria, significa que homens deveriam investir muito mais no prazer delas durante o sexo oral ou mastrubação – o que não acontece na prática.

As relações sexuais destes filmes também criam referências erradas, fazendo com que muitos jovens que se baseiam nas cenas de pornografia acabem se frustrando quando iniciam a vida sexual. Tudo isso, aliado a uma falha educação sexual, na qual o jovem não aprende sobre sexualidade nem em casa e nem na escola, acarreta em relações vazias e frustrantes.

Os vídeos adultos não mostram mulheres reais

Entre as principais características da pornografia está a hipersensualização dos corpos, especialmente dos femininos. Grande parte das mulheres retratadas nestes filmes são magras, malhadas, depiladas, com peitos e bundas grandes e empinados, sem nenhuma estria e celulite, quando, no mundo real, a variedade de corpos é enorme.

Isso faz com que muitas mulheres se sintam constrangidas e desconfortáveis em momentos de nudez com seus parceiros, já que muitos esperam os mesmos corpos das atrizes pornôs. Alguns homens viciados em pornografia, inclusive, podem sentir certa repulsa pelos corpos naturais das mulheres da vida real.

A pornografia faz com que homens pensem que seus pênis são pequenos

A média do pênis do homem brasileiro é de 15,7cm, no entanto, muitos acreditam que seus órgãos sejam pequenos justamente porque consomem conteúdos ponográficos nos quais o tamanho do pênis do ator chega a ser assustador.

Por estarem em contato com referências irreais, muitos homens acabam crescendo inseguros e pouco confiantes em relação ao próprio pênis, o que pode ser um empecilho na hora de conhecer novas parceiras.

As produções dos vídeos pornográficos ignoram qualquer tipo de proteção

Um dos maiores problemas dos vídeos adultos é que eles não incentivam o uso de preservativos ou o de qualquer tipo de proteção contra doenças sexualmente transmissíveis. Em 2016, autoridades da Califórnia colocaram em pauta a necessidade do uso da camisinha durante a gravação de filmes eróticos no estado americano.

No entanto, muitos consumidores e até atores e produtores da indústria pornográfica se posicionaram contra a decisão, o que dificultou que a lei fosse colocada em vigor. Como resultado dessa rejeição aos métodos de proteção, é possível encontrar muitos atores pornôs com HIV e também espectadores que se recusam a utilizar camisinhas em suas relações.

Todos esses fatores mostram que o vício em pornografia – ou até o consumo moderado – não traz consequências ruins apenas para quem o faz, mas também para quem o assiste. Por isso, é importante repensar a necessidade ou vontade de explorar esse universo enganoso e cogitar dar mais atenção ao que acontece na vida real.

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